Investidores devem olhar para Europa e Ásia em 2026, defendem economistas da AllianzGI

A Allianz Global Investors (AllianzGI) divulgou esta terça-feira as suas perspetivas para 2026, antecipando um ano de crescimento global resiliente, mas marcado por uma maior fragmentação económica, divergência inflacionista entre regiões e necessidade reforçada de diversificação nas carteiras dos investidores.

André Manuel Mendes
Novembro 25, 2025
9:47

A Allianz Global Investors (AllianzGI) divulgou esta terça-feira as suas perspetivas para 2026, antecipando um ano de crescimento global resiliente, mas marcado por uma maior fragmentação económica, divergência inflacionista entre regiões e necessidade reforçada de diversificação nas carteiras dos investidores.

A gestora defende que o contexto internacional exigirá “vigilância e ambição”, num momento em que os EUA, tradicional motor da economia mundial, enfrentam desafios institucionais, avaliações elevadas nos ativos tecnológicos e riscos acrescidos decorrentes das tarifas comerciais. Ainda assim, o investimento em inteligência artificial continuará a ser um dos pilares dos mercados, embora obrigue a uma maior seletividade.

Europa, China e Índia ganham atratividade

Com os EUA pressionados por inflação acima de 3% e políticas monetárias sob escrutínio político, a AllianzGI considera que outras geografias podem assumir maior protagonismo. Europa, China e Índia surgem como mercados com avaliações mais atrativas, maior diversidade setorial e espaço para cortes de juros ao longo de 2026.

A diferença nas trajetórias inflacionistas será um dos fatores determinantes: enquanto a inflação deverá acelerar nos EUA, a Europa e a Ásia deverão manter preços mais controlados, permitindo aos respetivos bancos centrais continuarem a normalizar as taxas de juro.

Mercados privados deixam de ser “alternativos”

A gestora reforça também o papel dos mercados privados como elemento central na construção de portefólios de longo prazo. O crédito privado e a infraestrutura serão, em particular, motores relevantes de criação de valor, apoiando a transição energética, a digitalização e a desglobalização.

A seleção rigorosa de gestores e a análise de crédito serão essenciais num contexto de spreads historicamente apertados, mas onde a AllianzGI não identifica riscos sistémicos.

Crescimento global de 2,7% apesar da guerra comercial

Christian Schulz, economista-chefe da AllianzGI, estima que o PIB global cresça 2,7% em 2026, apesar dos efeitos persistentes da guerra comercial entre EUA e China e da fragmentação das cadeias de abastecimento. A revolução da IA e as respostas políticas em várias regiões deverão amortecer o impacto das tarifas e das tensões geopolíticas.

EUA: economia abranda, mas resiste

Nos EUA, a AllianzGI espera um crescimento entre 1,5% e 2%, com o boom de investimento em IA a compensar parte dos efeitos negativos das tarifas. A inflação acima de 3% e o ambiente político, incluindo potenciais decisões judiciais relacionadas com o Federal Reserve, são apontados como riscos relevantes.

O Fed deverá continuar a cortar juros em 2026, podendo baixar a taxa diretora para 3,25%–3,50%.

Europa com “recuperação moderada” e inflação abaixo de 2%

A Europa deverá crescer entre 1% e 1,5%, impulsionada pela recuperação do consumo e pelo baixo desemprego. A inflação abaixo de 2% permite ao BCE reduzir os juros para 1,75% no primeiro semestre.

O Reino Unido enfrenta um cenário mais difícil, condicionado pela consolidação orçamental, mas poderá beneficiar da maior estabilidade macroeconómica.

Ásia: crescimento desigual, mas suportado pelo ciclo tecnológico

Na Ásia, a pressão das tarifas norte-americanas sobre o comércio tradicional contrasta com um forte dinamismo do setor tecnológico e do comércio intrarregional. Vários bancos centrais da região deverão cortar juros no início de 2026.

A China continuará a lidar com procura interna fraca, enquanto o Japão mantém a sua trajetória de reflação, podendo realizar mais um ou dois aumentos de juros.

Investidores deverão reduzir exposição excessiva aos EUA

A AllianzGI alerta ainda para os riscos de estagflação nos EUA e para um possível enfraquecimento adicional do dólar, que podem levar investidores globais a repensar a elevada concentração em ativos americanos. Nesse cenário, títulos de dívida europeus e asiáticos, bem como o ouro, podem beneficiar.

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