Operação da PJ detém militares da GNR suspeitos de integrarem rede de exploração de migrantes no Alentejo

A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou esta terça-feira uma operação de grande dimensão para desmantelar uma rede criminosa de tráfico humano que atuava em explorações agrícolas da região de Beja, sendo que se contam pelo menos uma dezena de militares da GNR e, pelo menos, um elemento da PSP entre os 20 detidos.

Pedro Gonçalves
Novembro 25, 2025
9:24

A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou esta terça-feira uma operação de grande dimensão para desmantelar uma rede criminosa de tráfico humano que atuava em explorações agrícolas da região de Beja, sendo que se contam pelo menos uma dezena de militares da GNR e, pelo menos, um elemento da PSP entre os 20 detidos. A ação, batizada “Safra Justa”, resulta de meses de investigação sobre a exploração violenta de trabalhadores imigrantes do subcontinente indiano, mantidos em condições descritas como miseráveis e desumanas.

Segundo a CNN Portugal, que revelou os primeiros contornos da investigação, a Unidade de Contraterrorismo da PJ coordenou uma operação que mobiliza cerca de 300 inspetores das diretorias de Lisboa, Évora e Algarve. No terreno estão a ser cumpridos cerca de 50 mandados de busca e 17 mandados de detenção em vários pontos do país, incluindo Beja, Portalegre, Figueira da Foz e Porto. Os detidos — militares da GNR, um agente da PSP e vários civis associados ao grupo — são suspeitos de tráfico de seres humanos, associação criminosa, auxílio à imigração ilegal, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

De acordo com o comunicado oficial da PJ, a rede criava empresas de trabalho temporário destinadas exclusivamente a recrutar e submeter trabalhadores vulneráveis a exploração severa. Os migrantes eram forçados a trabalhar de sol a sol sob supervisão de elementos das forças de segurança envolvidos no esquema e viviam em alojamentos precários, pagando alimentação e estadia a preços inflacionados. A PJ indica ainda que as vítimas eram mantidas sob coação permanente, através de ameaças de deportação e episódios reiterados de agressões físicas.

As autoridades identificaram pelo menos 45 trabalhadores agrícolas imigrantes sujeitos ao regime de trabalho escravo. Estas vítimas foram retiradas das propriedades durante a operação e encaminhadas para a base aérea de Beja, onde estão a ser ouvidas e acompanhadas por equipas especializadas. Segundo a investigação, os elevados proveitos ilícitos eram ocultados através de esquemas financeiros não declarados, permitindo ao grupo criminoso maximizar lucros à custa da exploração de mão de obra vulnerável.

Os militares da GNR e o agente da PSP agora detidos terão facilitado e protegido a atuação da rede, desempenhando funções diretas na vigilância e controlo das vítimas. Todos os detidos serão apresentados ao Ministério Público nas próximas horas, podendo vir a ser aplicadas medidas de coação mais gravosas, incluindo prisão preventiva, enquanto a PJ prossegue diligências para apurar a extensão total da organização criminosa.

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