Sem Trump, Putin e Xi Jinping: cimeira de líderes do G20 arranca hoje na África do Sul

O alívio da dívida dos países de baixo rendimento e o combate à desigualdade económica vão estar em foco na cimeira do G20, boicotada pelos Estados Unidos, que arranca hoje na África do Sul.

Executive Digest com Lusa
Novembro 22, 2025
8:00

O alívio da dívida dos países de baixo rendimento e o combate à desigualdade económica vão estar em foco na cimeira do G20, boicotada pelos Estados Unidos, que arranca hoje na África do Sul.

Entre as prioridades estabelecidas pela África do Sul – que organiza pela primeira vez uma cimeira do grupo no continente africano – para a presidência do G20 estão também o reforço da resiliência a catástrofes, o financiamento de uma transição energética justa e a exploração de minerais críticos para o crescimento inclusivo e o desenvolvimento sustentável.

A África do Sul pretende também avançar na criação de um Painel Internacional sobre a Desigualdade, semelhante ao Painel Internacional Para as Alterações Climáticas [IPCC, na sigla em inglês], que é a principal recomendação de um relatório liderado pelo Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz.

Entre 2021 e 2023, o continente africano gastou 70 dólares (cerca de 60 euros) ‘per capita’ em pagamentos de juros da dívida, mais do que o dinheiro investido na educação ou na saúde, que foi de 63 e 44 dólares (54 e 38 euros) por pessoa, respetivamente, de acordo com dados da ONU.

O regresso de Donald Trump à liderança dos Estados Unidos teve um grande impacto na primeira presidência africana do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo e representa 85% do produto interno bruto (PIB) global, além de perto de dois terços da população mundial.

O Presidente dos Estados Unidos anunciou que “nenhum funcionário” do Governo norte-americano vai participar na cimeira do G20, alegando que estão a ser cometidos abusos dos direitos humanos contra a minoria africânder [sul-africanos brancos descendentes de colonos europeus], uma afirmação categoricamente rejeitada pela África do Sul.

A situação agravou-se com os ataques virulentos e repetidos de Trump contra o Governo do Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.

Trump reiterou a desconfiança no multilateralismo, do qual o G20 é um dos instrumentos.

Já em janeiro, iniciou a segunda retirada dos Estados Unidos do acordo de Paris sobre as alterações climáticas e, em seguida, impôs tarifas às importações norte-americanas, que posteriormente tem vindo a negociar individualmente com os diferentes países.

Atingida pelas tarifas mais elevadas da África Subsariana (30%), Pretória tentou restabelecer as relações com Washington, antes de ser forçada a agir contra a taxação: “Que pena para eles”, afirmou recentemente Ramaphosa, que está determinado a prosseguir com a sua agenda, com ou sem a ajuda da principal potência económica mundial.

Na quarta-feira, o Governo sul-africano repudiou a posição dos Estados Unidos de negar a Pretória a possibilidade de invocar “um consenso” do grupo, habitual na declaração final da cimeira, devido à ausência dos norte-americanos na reunião.

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que tem laços de proximidade com Ramaphosa, já confirmou a presença na cimeira.

Entretanto, os Presidentes da China, Xi Jiping, do México, Claudia Sheinbaum, da Rússia, Vladimir Putin, e da Argentina, Javier Milei, não participam no encontro, mas vão enviar representantes.

Na ausência dos Estados Unidos, espera-se que a China, cujo primeiro-ministro, Li Qiang, estará em Joanesburgo, defenda mais uma vez o multilateralismo.

“A globalização económica e o surgimento de um mundo multipolar são irreversíveis”, afirmou Li Qiang, no final de outubro, numa cimeira regional na Ásia, pedindo o fim do regresso da “lei da selva” no comércio mundial.

Do lado russo, o conselheiro económico de Vladimir Putin, Maxim Oreshkin representar Moscovo na cimeira, marcada pela ausência do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

A cimeira do G20 decorre no sábado e no domingo no centro de convenções Nasrec, em Joanesburgo. Marca o fim de um ciclo de presidências do G20 exercidas pelos países do Sul Global, depois da Indonésia (2022), da Índia (2023) e do Brasil (2024).

A África do Sul assumiu a presidência rotativa do G20 em 01 de dezembro de 2024 e vai mantê-la até 30 de novembro deste ano, altura em que os Estados Unidos assumem a liderança do grupo.

Os Estados Unidos anunciaram já a intenção de redirecionar o foco do G20 para as questões de cooperação económica. A próxima cimeira está prevista para dezembro de 2026 em Miami, num campo de golfe da família Trump.

Criado em 1999, o G20 19 países, nomeadamente Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, República da Coreia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos, além de dois organismos regionais: a União Europeia e a União Africana.

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