O presidente Donald Trump confirmou que terá hoje um encontro com o autarca-eleito de Nova Iorque, Zohran Mamdani, na Sala Oval da Casa Branca, encerrando meses de atritos públicos entre os dois líderes políticos. A reunião, amplamente antecipada, poderá representar um gesto de distensão entre o presidente republicano e a nova figura emergente do Partido Democrata.
Trump anunciou o encontro nas redes sociais, referindo-se a Mamdani pelo nome completo e colocando o nome do meio, Kwame, entre aspas. O presidente declarou que o autarca-eleito solicitou a reunião e prometeu fornecer “mais detalhes em breve”.
Dora Pekec, porta-voz de Mamdani, sublinhou que o encontro “é habitual para qualquer novo autarca de Nova Iorque reunir-se com o presidente”. Segundo Pekec, Mamdani pretende abordar temas como “segurança pública, segurança económica e o programa de habitação acessível pelo qual mais de um milhão de nova-iorquinos votou há apenas duas semanas”.
O foco da reunião deverá centrar-se também na implementação das políticas que Mamdani defende desde a campanha, incluindo iniciativas de habitação acessível e medidas de proteção social, que se tornaram prioritárias no debate político após as eleições de novembro.
Durante meses, Trump criticou Mamdani, rotulando-o falsamente de “comunista” e prevendo o declínio de Nova Iorque caso o democrata socialista assumisse o cargo. O presidente chegou mesmo a ameaçar deportar Mamdani, naturalizado americano desde 2018, e a retirar fundos federais da cidade.
Após os resultados eleitorais de novembro — em que os republicanos sofreram derrotas em vários estados, incluindo Nova Iorque, Geórgia, Nova Jérsia, Pensilvânia e Virgínia — Trump alterou o discurso, abordando a habitação acessível, tema central das campanhas democratas. Na semana passada, declarou nas redes sociais que os republicanos seriam o “Partido da Acessibilidade”, reforçando a narrativa de solidez económica.
Zohran Mamdani, de 34 anos, que ascendeu rapidamente de deputado estadual representando Queens a autarca-eleito da maior cidade dos EUA, manifestou durante a campanha a intenção de “provar que Nova Iorque pode derrotar o presidente”, sem excluir a possibilidade de colaborar com qualquer entidade que beneficie os nova-iorquinos, incluindo o próprio Trump.
Na sua vitória eleitoral, Mamdani afirmou que pretende “Trump-proof” Nova Iorque, garantindo políticas que protejam a cidade dos impactos de decisões federais consideradas adversas. Contudo, deixou claro que está disposto a dialogar, se isso trouxer vantagens para os cidadãos.
O encontro de hoje é visto como uma oportunidade de discussão direta sobre segurança pública, economia e habitação, temas centrais para os cidadãos de Nova Iorque. Trump afirmou aos jornalistas no domingo que “vamos resolver algo”, enquanto Mamdani confirmou na segunda-feira que a sua equipa contactou a Casa Branca para organizar o encontro.
Analistas políticos observam o encontro com atenção, considerando que ele pode marcar o início de uma fase de cooperação pragmática entre a administração federal e o novo autarca, apesar das divergências ideológicas profundas.
O encontro de sexta-feira não só simboliza um teste à capacidade de diálogo entre figuras com posições políticas opostas, mas também é interpretado como um sinal para futuras negociações sobre financiamento urbano, habitação e segurança. Com Mamdani a assumir oficialmente o cargo em janeiro, todos os olhos estarão voltados para o desfecho desta reunião e para o impacto que poderá ter na governação de Nova Iorque e na relação com Washington.














