As fortes oscilações registadas na semana passada nos mercados acionistas, em particular nas tecnológicas, não tiveram reflexo significativo no mercado cambial, segundo a análise de Joana Vieira, Partner da Ebury.
As moedas do G10 negociaram-se em “intervalos apertados”, com apenas duas exceções: o franco suíço, que “recuperou fortemente com a notícia de um acordo comercial com os EUA que reduz as tarifas para o nível europeu”, e o iene japonês, que permaneceu em baixa “devido às preocupações renovadas sobre o desperdício fiscal e monetário”.
A especialista sublinha que, apesar do fim da paralisação do governo dos EUA, “permanece a incerteza sobre quais os principais relatórios económicos em falta que serão divulgados e quando”. Com a decisão da Reserva Federal sobre a taxa de dezembro dependente destes dados, “os mercados cambiais têm medo de abraçar quaisquer tendências antes que a fumaça se dissipe sobre o estado da economia dos EUA”.
Esta semana ganha especial relevância com o retomar da divulgação dos indicadores económicos norte-americanos. Destaca-se o relatório sobre as folhas de pagamento de setembro, adiado para quinta-feira, bem como as atas da reunião de outubro da Reserva Federal. No Reino Unido, os dados da inflação serão revelados na quarta-feira, enquanto na sexta-feira chegam os números do PMI do G3. “Deveremos ter uma imagem mais clara das perspetivas tanto para a Fed como para o Banco de Inglaterra até ao final desta semana”, afirma Joana Vieira, realçando que, no caso britânico, “a reação do mercado de gilts às últimas notícias orçamentais será fundamental para a libra esterlina”.
Euro com margem para ligeira valorização
Na análise da Ebury, o Banco Central Europeu (BCE) atravessa um contexto mais favorável do que o Banco de Inglaterra ou a Reserva Federal. “O seu ciclo de redução das taxas parece ter sido efetivamente concluído e a inflação na Área do Euro está próxima do objetivo de 2% e já não apresenta tendência ascendente”.
Apesar das diferenças regionais, “o mercado de trabalho está a demonstrar resiliência e o bloco comum continua a criar empregos em geral”. A Ebury reconhece preocupações relacionadas com os déficits fiscais em França, mas considera que estes são “largamente compensados pelo otimismo em torno do afrouxamento fiscal na Alemanha, que já começa a se refletir em indicadores económicos fracos”. Este enquadramento, conclui, “apoia a nossa visão de uma ligeira apreciação do euro nos próximos meses”.














