O volume de perguntas dirigidas ao Governo nesta legislatura revela um Executivo globalmente responsivo, mas com grandes diferenças entre ministérios. Desde a tomada de posse em 5 de junho até 5 de novembro, os deputados enviaram quase seis centenas de questões ao Governo, com destaque para a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que lidera a lista dos governantes mais questionados. No sentido inverso, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, apresenta a taxa de resposta mais baixa, muito abaixo da média do Executivo.
De acordo com dados divulgados pelo Público, foram submetidas 587 perguntas ao Executivo no período analisado, com o PS a liderar o número de questões enviadas (233), seguido do PCP (140) e do Chega (98). Também a deputada única do BE apresentou 42 perguntas, enquanto o Livre submeteu 30, a IL enviou 24 e o PAN 10. Já o PSD apresentou apenas seis perguntas, o JPP cinco e o CDS uma. No total, o Governo respondeu a 439 das perguntas, assegurando uma taxa global de resposta próxima dos 75%, embora 168 tenham sido respondidas fora do prazo legal de 30 dias, oito tenham sido alvo de prorrogação e 136 permaneçam ainda sem qualquer tratamento.
Entre os membros do Executivo, Ana Paula Martins surge como a governante mais pressionada pelos deputados, tendo recebido 70 perguntas – situação que reflete não apenas o peso político da pasta da Saúde, mas também a contestação que tem enfrentado, traduzida em sucessivos pedidos de demissão por parte da oposição. Seguem-se Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e Habitação, com 62 questões, e Fernando Alexandre, responsável pela Educação, Ciência e Inovação, com 56. Esta tendência já se verificava no anterior Governo socialista, em que os ministros da Saúde, Marta Temido e Manuel Pizarro, lideraram igualmente o número de perguntas, acumulando 498 entre 2022 e 2024.
Ainda no pelotão dos governantes mais questionados surgem Maria do Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (55), Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia (48), e Joaquim Miranda Sarmento, ministro de Estado e das Finanças (39). Com 37 perguntas cada, encontram-se Paulo Rangel, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, e António Leitão Amaro, ministro da Presidência. Logo depois seguem Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, e Maria Lúcia Amaral, ministra da Administração Interna, ambos com 36. José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura e Mar, recebeu 30 perguntas, enquanto Rita Alarcão Júdice, ministra da Justiça, contou 28.
No extremo oposto surgem os ministros menos questionados: Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura, Juventude e Desporto, com 18 perguntas; Nuno Melo, ministro da Defesa Nacional, com 13; Gonçalo Matias, ministro adjunto e da Reforma do Estado, com apenas cinco; e Carlos Abreu Amorim, ministro dos Assuntos Parlamentares, que não recebeu qualquer pergunta. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, foi alvo de oito perguntas relacionadas com temas como o uso da Base das Lajes no ataque dos EUA ao Irão, o acordo tarifário entre os Estados Unidos e a União Europeia e o seu património pessoal e familiar.
O balanço das respostas evidencia que apenas Luís Montenegro respondeu à totalidade das perguntas dirigidas ao seu gabinete. Entre as taxas de resposta mais elevadas surgem a ministra da Cultura, que deixou apenas uma pergunta por responder (94,4%), Miguel Pinto Luz, com quatro pendentes (93,5%), e Rita Alarcão Júdice, com três por tratar (89,2%). Já António Leitão Amaro destaca-se negativamente ao responder apenas a 27% das questões (10 em 37), tornando-se o governante menos diligente perante o Parlamento. Também o ministro da Agricultura ficou aquém, sem responder a metade das perguntas recebidas. Seguem-se, com taxas progressivamente mais altas, Gonçalo Matias (60%), Maria Lúcia Amaral (61,1%), Maria da Graça Carvalho (64,5%), Nuno Melo (69,2%) e Ana Paula Martins (71,4%). Entre os que mais respondem figuram ainda Maria do Rosário Palma Ramalho (80%), Joaquim Miranda Sarmento (82%), Manuel Castro Almeida (83,3%), Paulo Rangel (83,7%) e Fernando Alexandre (83,9%).














