Republicanos discutem hoje divulgação de arquivos de Epstein após mudança de posição de Trump

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mudou de posição e instou os congressistas republicanos a aprovarem a divulgação de todos os documentos relacionados com o pedófilo Jeffrey Epstein, numa votação marcada para esta terça-feira.

Pedro Gonçalves
Novembro 18, 2025
7:00

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mudou de posição e instou os congressistas republicanos a aprovarem a divulgação de todos os documentos relacionados com o pedófilo Jeffrey Epstein, numa votação marcada para esta terça-feira. A decisão surgiu poucas horas depois de meios de comunicação norte-americanos terem noticiado que a discussão sobre a divulgação dos arquivos seria colocada na agenda da Câmara dos Representantes, liderada por um republicano aliado de Trump.

Trump publicou a sua posição na rede social que detém, Truth Social, afirmando: “Os republicanos da Câmara [dos Representantes] devem votar a favor da divulgação dos arquivos de Epstein porque não temos nada a esconder, e é hora de superar esse embuste democrata perpetrado por lunáticos da esquerda radical para desviar a atenção do grande sucesso do Partido Republicano”.

O anúncio ocorre num contexto em que o caso Epstein voltou à agenda política dos EUA após a divulgação de e-mails atribuídos ao pedófilo, nos quais o nome de Trump surge ligado a alegados abusos. Trump reiterou que não tinha conhecimento das ações de Epstein antes do suicídio deste em 2019, na prisão, onde aguardava julgamento por exploração sexual de menores. O Presidente norte-americano indicou ainda que pediu ao Departamento de Justiça e ao FBI que investiguem as ligações de Epstein a diversas figuras públicas e instituições, incluindo o ex-presidente democrata Bill Clinton, o antigo secretário do Tesouro Larry Summers, o investidor Reid Hoffman, o banco JP Morgan Chase, entre outros.

Trump acrescentou, na Truth Social, que “os registos mostram que estes homens, e muitos outros, passaram grande parte da vida com Epstein e na sua ‘ilha’”, insistindo que os democratas criaram uma “farsa política” e manipularam o caso para enfraquecer a Administração republicana.

O escândalo de Jeffrey Epstein, figura influente da alta sociedade nova-iorquina, ressurgiu com força esta semana com os e-mails recentemente divulgados. Durante a campanha presidencial, Trump prometeu “grandes revelações” sobre o caso, mas após regressar à Presidência, em janeiro, passou a afirmar que o processo mediático e judicial em torno de Epstein se tratava de uma “manipulação política”. Epstein faleceu em 2019, antes do início do julgamento, e a sua morte foi oficialmente classificada como suicídio, embora continue a alimentar teorias da conspiração sobre um possível silenciamento de testemunhos comprometedores.

Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein, foi condenada a 20 anos de prisão pelo tráfico sexual de menores, enquanto Trump continua a negar qualquer envolvimento ou conhecimento dos crimes cometidos por ambos.

A votação prevista para hoje na Câmara dos Representantes será decisiva para determinar se todos os arquivos de Epstein serão tornados públicos. A discussão é seguida com atenção tanto nos Estados Unidos como internacionalmente, dado o impacto político que os documentos podem ter sobre figuras de destaque do cenário político e empresarial norte-americano. Trump mantém a narrativa de que o caso é um problema dos democratas, afirmando: “Jeffrey Epstein era um democrata, é um problema dos democratas, não dos republicanos”, reforçando a sua estratégia de distanciamento político enquanto pede transparência sobre os documentos.

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