A partir de 1,4 milhões de euros: joia beirã do século XIII no coração do Dão renasce como “oportunidade rara” no mercado imobiliário

Póvoa Dão, pertencente à freguesia de Silgueiros, a cerca de 14 quilómetros de Viseu, viu-se esvaziada de moradores ao longo dos anos 60, até ficar totalmente desabitada

Executive Digest
Novembro 7, 2025
10:42

No coração do vale do Dão, envolta pelo arvoredo e pelo silêncio, a aldeia de Póvoa Dão, fundada em 1258, volta a procurar um novo rumo. Depois de décadas de abandono e de uma tentativa falhada de renascimento como aldeia turística, este conjunto histórico com 41 habitações em granito, uma capela e vários espaços comuns está agora à venda por 1,7 milhões de euros, em leilão eletrónico promovido pela Leilosoc, noticiou o ‘Jornal de Negócios’.

Pertencente à freguesia de Silgueiros, a cerca de 14 quilómetros de Viseu, a aldeia viu-se esvaziada de moradores ao longo dos anos 60, até ficar totalmente desabitada. O acesso faz-se ainda pelo antigo caminho romano, por entre muros e vinhas, e o cenário mantém o traço original beirão — casas em pedra, ruas estreitas e uma envolvência rural praticamente intacta.

Uma aldeia renascida… e novamente abandonada

Em 1995, a Póvoa Dão foi adquirida pela construtora Ramos Catarino, de Cantanhede, que investiu cerca de cinco milhões de euros na recuperação integral da aldeia. O projeto, concluído em 2004, manteve a traça tradicional e dotou o espaço de restaurante, campo de ténis e zonas ajardinadas, transformando-a num empreendimento turístico com tipologias T1 e T2.

Mas a nova vida durou pouco. Com o colapso do Banco Espírito Santo (BES) e as dificuldades financeiras da Ramos Catarino, o aldeamento voltou a ser abandonado.

Um património à procura de novo rumo

Atualmente em leilão online, a aldeia tem preço base de 1,7 milhões de euros e valor mínimo de 1,445 milhões, segundo a Leilosoc. No anúncio, a leiloeira descreve o local como “um património exclusivo e uma oportunidade rara no mercado imobiliário português”, sublinhando o seu potencial para eco-resort de luxo, enoturismo ou condomínio rural sustentável.

“Cada pedra da Aldeia da Póvoa Dão conta uma história. Entre o silêncio do vale e o som do rio, esta aldeia é um refúgio de autenticidade — um cenário onde a tradição e a modernidade se unem”, destaca a Leilosoc, que vê no conjunto “um investimento diferenciador e um pedaço autêntico de Portugal”.

Ramos Catarino: da revitalização à insolvência

A história recente da aldeia está ligada à trajetória conturbada da Ramos Catarino. Após recorrer a um Processo Especial de Revitalização (PER) em 2013 — apoiado pelo BES — a empresa acumulou uma dívida de cerca de 60 milhões de euros. Em 2016 foi comprada pelo fundo Vallis, que tentou vender Póvoa Dão sem sucesso, e dois anos depois regressou às mãos da família fundadora, novamente em PER com o apoio do Novo Banco.

Sem conseguir recuperar, a construtora foi adquirida pela Nacala Holdings, liderada por Gilberto Rodrigues, o mesmo empresário que dirige o grupo Elevolution (resultado da fusão da Edifer, Monte Adriano, Hagen e Eusébios), que entrou em PER em 2021 com dívidas de 350 milhões de euros. A Ramos Catarino acabaria por entrar em insolvência em 2025, encerrando um ciclo de quase três décadas de tentativas para dar nova vida à aldeia.

Póvoa Dão insere-se na freguesia de Silgueiros, território de forte tradição vinícola e onde o PPD/PSD manteve a liderança nas últimas autárquicas, embora sem maioria, com 40,5% dos votos e quatro mandatos. O movimento independente VIA estreou-se com 25,2% e dois mandatos, enquanto o PS caiu para 18,1%. O Chega conquistou o seu primeiro representante local, com 13,8%.

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