Ex-segurança do museu e estrela das redes sociais: Começam a ser conhecidas as identidades dos ladrões do Louvre

Um dos quatro homens detidos por suspeita de envolvimento no espetacular roubo de joias históricas avaliado em 88 milhões de euros no Museu do Louvre é um influenciador das redes sociais e antigo segurança de museus parisienses, revelou a imprensa francesa esta quarta-feira. Identificado oficialmente pelas autoridades judiciais apenas como Abdoulaye N., o homem de 39 anos foi detido na sua residência em Aubervilliers, um subúrbio a norte de Paris, seis dias depois do assalto de 19 de outubro. Segundo as informações divulgadas, enfrenta acusações de roubo organizado e associação criminosa. O tribunal de Bobigny, também na região norte…

Pedro Gonçalves
Novembro 5, 2025
18:27

Um dos quatro homens detidos por suspeita de envolvimento no espetacular roubo de joias históricas avaliado em 88 milhões de euros no Museu do Louvre é um influenciador das redes sociais e antigo segurança de museus parisienses, revelou a imprensa francesa esta quarta-feira.

Identificado oficialmente pelas autoridades judiciais apenas como Abdoulaye N., o homem de 39 anos foi detido na sua residência em Aubervilliers, um subúrbio a norte de Paris, seis dias depois do assalto de 19 de outubro. Segundo as informações divulgadas, enfrenta acusações de roubo organizado e associação criminosa.

O tribunal de Bobigny, também na região norte da capital francesa, decidiu adiar o julgamento de Abdoulaye N. num outro processo em que é acusado de danos em propriedade pública, justificando que a forte “atenção mediática e os acontecimentos recentes” impossibilitavam uma “audiência serena”.

O advogado do suspeito, Maxime Cavaillé, afirmou que a defesa será “extremamente vigilante” quanto ao respeito pela “presunção de inocência” e pretende proteger “os direitos e a privacidade” do seu cliente, tendo em conta “a natureza extraordinária” do caso que envolve o museu mais famoso do mundo.

De acordo com a investigação, o roubo foi executado por um grupo de quatro homens que utilizou um camião furtado, equipado com uma escada extensível e um elevador de carga, para aceder ao primeiro andar da galeria Apollo, onde se encontravam expostas as joias.

Dois elementos do grupo partiram uma janela desprotegida e duas vitrinas de vidro antes de descerem pelo elevador e fugirem em duas motas, conduzidas pelos outros cúmplices. A operação, realizada em plena luz do dia, durou menos de sete minutos do início à fuga.

Os assaltantes levaram oito peças de valor incalculável, entre as quais um colar de esmeraldas e diamantes oferecido por Napoleão I à sua segunda esposa, Maria Luísa, e uma diadema ornamentada com 212 pérolas e quase 2.000 diamantes, que pertenceu à mulher de Napoleão III.

Segundo o Le Parisien e a BFMTV, as autoridades acreditam que Abdoulaye N. foi um dos dois ladrões que entraram diretamente na galeria. O seu DNA foi detetado numa das vitrinas partidas e em objetos abandonados no local, incluindo luvas, um colete refletor e discos de corte.

O passado do suspeito e a sua vida digital
Os meios de comunicação franceses revelaram que o suspeito, conhecido nas redes sociais como “Doudou Cross Bitume”, é uma figura popular nos subúrbios parisienses e partilhava frequentemente vídeos no YouTube, TikTok e Instagram.

O seu lema — “Toujours plus près du bitume” (“Sempre mais perto do asfalto”) — acompanhava vídeos onde executava acrobacias em motas nas ruas de Paris e de Aubervilliers, muitas vezes junto ao Stade de France. Outros conteúdos mostravam-no a dar conselhos de musculação.

Em várias dessas gravações, “Doudou Cross Bitume” aparece a conduzir uma Yamaha TMax, precisamente o modelo de scooter potente usado pelos ladrões na fuga do Louvre.

O Le Parisien noticiou ainda que Abdoulaye N. trabalhou em empresas como a UPS e a Toys “R” Us, além de ter sido segurança no Centro Pompidou, outro dos principais museus de arte moderna de Paris. Vizinhos descrevem-no como “um homem prestável e decente”, “que ajuda quem precisa e tem bom coração”.

De acordo com várias fontes citadas pela imprensa francesa, o registo criminal de Abdoulaye N. inclui 15 infrações, entre elas posse e transporte de droga, condução sem carta e criação de perigo para terceiros.

Em 2014, foi condenado por assalto a uma joalharia, e outro dos suspeitos agora detidos no caso do Louvre também esteve envolvido nesse mesmo roubo, revelou a procuradora de Paris, Laure Beccuau.

Beccuau afirmou ainda que o principal suspeito “falou pouco com a polícia”, mas “admitiu parcialmente” o seu envolvimento no assalto do Louvre.

A procuradora explicou também que os perfis dos detidos “não correspondem aos de criminosos altamente organizados”, o que levou os investigadores a ponderar a hipótese de terem sido contratados por um cérebro criminoso ainda desconhecido.

As joias roubadas continuam por recuperar, e os investigadores admitem que possam já ter sido contrabandeadas para fora de França.

O suspeito deveria ainda ter sido julgado na quarta-feira por danos menores causados em 2019, quando partiu um espelho e danificou a porta da sua cela durante uma detenção relacionada com outro furto — caso em que acabou por ser ilibado, segundo a agência Associated Press.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.