A Polícia Judiciária (PJ), em colaboração com a Marinha Portuguesa, intercetou um novo semi-submersível carregado com 1,7 toneladas de cocaína, que navegava em pleno Oceano Atlântico com destino à Península Ibérica. O navio clandestino, conhecido como “narcosubmarino”, transportava quatro tripulantes e destinava-se a abastecer várias redes de tráfico na Europa, através de lanchas rápidas encarregadas de recolher a carga em alto mar.
Segundo o Correio da Manhã (CM), esta operação representa mais um golpe no tráfico internacional de estupefacientes, apenas oito meses depois de as autoridades portuguesas terem apreendido outro narcosubmarino com mais de seis toneladas de cocaína, em março deste ano. A droga apreendida seria distribuída por vários países europeus, reforçando o papel estratégico da costa atlântica portuguesa nas rotas do narcotráfico vindas da América do Sul.
A investigação é conduzida pela Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da PJ, que continua a trabalhar em estreita cooperação com organismos internacionais. A operação — batizada “El Dorado” — envolveu também a Força Aérea Portuguesa, a National Crime Agency (NCA) do Reino Unido, a Drug Enforcement Administration (DEA) dos Estados Unidos e a Joint Interagency Task Force South (JIATF-South), também norte-americana.
A ação conjunta teve origem em informações partilhadas no Maritime Analysis and Operations Centre – Narcotics (MAOC-N), com sede em Lisboa, uma estrutura internacional de coordenação que reúne representantes de vários países europeus e dos Estados Unidos para combater o tráfico marítimo de droga no Atlântico e no Mediterrâneo.
De acordo com a PJ, a deteção e interceção deste semi-submersível foram o resultado de “uma complexa operação de vigilância e cooperação internacional”, que permitiu neutralizar mais uma tentativa de entrada massiva de cocaína na Europa. Embora os nomes e nacionalidades dos quatro tripulantes não tenham sido divulgados, todos foram detidos e serão presentes às autoridades judiciais portuguesas nos próximos dias.
Com esta apreensão, já são duas as interceções de narcosubmarinos efetuadas em 2025 pelas autoridades portuguesas. A primeira, em março, resultou na captura de um outro semi-submersível carregado com cerca de seis toneladas e meia de cocaína, uma das maiores apreensões de sempre em águas portuguesas.
Fontes ligadas à investigação sublinham que o uso crescente de embarcações semi-submersíveis — que navegam com apenas parte da estrutura acima da linha de água — revela uma sofisticação cada vez maior das redes de tráfico transatlântico, que procuram escapar à deteção por radares e patrulhas aéreas.














