Engenheiro alerta para o “truque da moda” que promete poupar energia no inverno, mas pode sair caro

Quando o frio se instala e as faturas de eletricidade disparam, é natural procurar soluções para melhorar o isolamento térmico e reduzir o consumo de aquecimento. Uma das opções mais populares tem sido a instalação de janelas de triplo vidro. No entanto, um engenheiro e consultor energético veio agora alertar que esta solução, tida por muitos como uma aposta segura para poupar energia, pode afinal não ser tão eficiente como se pensa.

Pedro Gonçalves
Novembro 2, 2025
11:00

Quando o frio se instala e as faturas de eletricidade disparam, é natural procurar soluções para melhorar o isolamento térmico e reduzir o consumo de aquecimento. Uma das opções mais populares tem sido a instalação de janelas de triplo vidro. No entanto, um engenheiro e consultor energético veio agora alertar que esta solução, tida por muitos como uma aposta segura para poupar energia, pode afinal não ser tão eficiente como se pensa.

De acordo com o HuffPost, que cita uma publicação local da Dinamarca, a ideia de que o janelas triplas compensam financeiramente a longo prazo está longe de ser universal. O engenheiro Luca Arenz, consultor energético e diretor-geral de uma empresa de engenharia especializada em física da construção, explicou num vídeo publicado no YouTube que “os prazos de amortização costumam ser bastante longos na maioria dos casos”, o que torna este investimento pouco eficaz em termos de custo-benefício.

Arenz apresentou um exemplo prático: substituir um metro quadrado de janela pode custar cerca de 450 euros. Para recuperar esse investimento em vinte anos, o valor poupado anualmente em custos de aquecimento teria de rondar 22,20 euros por metro quadrado. Se uma casa tivesse 20 metros quadrados de janelas, isso significaria uma poupança de cerca de 450 euros por ano, o que o engenheiro considera “pouco realista” face aos consumos médios de energia.

O especialista sublinha ainda outro fator muitas vezes ignorado: “A luz solar não atravessa com a mesma intensidade as janelas de triplo vidro do que as de vidro duplo ou simples”. Este detalhe, explica, pode influenciar diretamente o aquecimento passivo das divisões, especialmente nos meses frios, quando a radiação solar é uma fonte natural de calor.

Apesar destas reservas, Arenz reconhece que a decisão deve ser avaliada caso a caso. “Se as janelas estão danificadas ou se se pretende aumentar a área envidraçada, pode fazer sentido optar por modelos de maior eficiência”, admite o engenheiro, frisando que a instalação de triplo vidro não deve ser vista como uma solução universal para poupar energia, mas sim como uma decisão técnica que depende das condições específicas de cada habitação.

O alerta de Arenz surge num momento em que muitos consumidores europeus procuram formas de reduzir as despesas com energia. A sua análise deixa claro que, por vezes, “mais pode ser menos”: investir em soluções aparentemente mais avançadas nem sempre significa poupar mais a longo prazo.

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