Cerca de 60% das pessoas atualmente desempregadas na Bélgica têm origem não belga, de acordo com novos dados divulgados pelo ministro do Emprego, David Clarinval. As estatísticas, publicadas esta quarta-feira em resposta a uma questão colocada pela deputada socialista Sophie Thémont, surgem num momento em que o governo de direita liderado por Bart De Wever prepara um conjunto de medidas mais restritivas para migrantes e beneficiários de subsídios de desemprego.
Segundo as informações apresentadas, apenas 41,5% dos desempregados no país são de nacionalidade belga, enquanto cerca de 13% têm origem norte-africana. O grupo seguinte em número corresponde a migrantes provenientes do sul da União Europeia. O relatório considera “de origem não belga” qualquer pessoa que tenha nascido com outra nacionalidade ou que tenha pelo menos um dos pais estrangeiro, mesmo que atualmente possua cidadania belga.
O ministro David Clarinval classificou os números como “bastante surpreendentes”. Em declarações citadas pela Politico Europe, o governante observou que muitos migrantes “têm um domínio muito limitado das línguas nacionais” e que “podem ter dificuldades em compreender o sistema institucional”.
Clarinval defendeu uma estratégia mais direcionada de apoio à integração no mercado de trabalho. “Precisamos claramente de concentrar-nos nestas pessoas e prestar-lhes uma atenção especial”, afirmou. “A principal mensagem é que todos devem trabalhar, incluindo as pessoas de origem estrangeira.”
Estas declarações coincidem com uma nova linha política mais rígida do executivo belga, que pretende limitar a dependência de apoios sociais e reforçar a ligação entre imigração e empregabilidade.
O primeiro-ministro Bart De Wever, líder flamengo de direita que assumiu funções em fevereiro, tem sido um dos maiores defensores de uma política de imigração mais restritiva. Numa das suas intervenções mais recentes, classificou a política migratória belga como “a origem de todas as misérias” do país.
O governo anunciou novas medidas que incluem requisitos de rendimento mais elevados e prazos de espera mais longos para a obtenção de vistos de reagrupamento familiar. Além disso, De Wever pretende reformar profundamente o sistema de subsídios de desemprego, limitando o período de acesso a um máximo de dois anos.
Uma das mudanças mais polémicas, com entrada em vigor prevista para o próximo ano, prevê o fim do subsídio de desemprego para quem esteja sem trabalho há mais de 20 anos. O governo estima que cerca de 180 mil pessoas perderão este apoio a partir de 2026, o que permitirá ao Estado poupar quase 2 mil milhões de euros.
Estas medidas inserem-se na estratégia de consolidação orçamental de Bart De Wever e pretendem, segundo o executivo, incentivar a reinserção laboral e reduzir o peso do sistema social. No entanto, partidos da oposição e sindicatos já alertaram para o impacto social e económico das reformas, sobretudo entre comunidades migrantes com maiores dificuldades de integração.












