‘Sanções de drones’: ataques ucranianos contra refinarias de petróleo russas não dão tréguas

Estado-Maior do Exército da Ucrânia atribuiu o ataque às suas Forças de Sistemas Não Tripulados, indicando que foram registadas “explosões na área do alvo e um incêndio em grande escala”

Francisco Laranjeira
Outubro 24, 2025
13:09

Drones kamikaze de longo alcance atingiram, na madrugada desta sexta-feira, a refinaria de petróleo Rosneft Ryazan (RNPZ), a quarta maior da Rússia, provocando incêndios e a interrupção parcial da produção. De acordo com o ‘Kyiv Post’, este é o quarto ataque à instalação nos últimos três meses, num padrão que mostra a intensificação da ofensiva ucraniana contra a infraestrutura energética russa.

O Estado-Maior do Exército da Ucrânia atribuiu o ataque às suas Forças de Sistemas Não Tripulados, indicando que foram registadas “explosões na área do alvo e um incêndio em grande escala”. Moradores da cidade de Riazan relataram ter ouvido várias detonações e observaram chamas junto à refinaria. Vídeos publicados nas redes sociais mostram incêndios próximos dos depósitos de combustível e das torres da instalação, com as colunas de fogo a atingir mais de 20 metros de altura.

A refinaria, situada a cerca de 450 quilómetros da fronteira ucraniana, tem capacidade para processar 17 milhões de toneladas de petróleo por ano e abastece Moscovo e as regiões vizinhas com gasolina, gasóleo, querosene, betume e gás liquefeito.

O governador da região, Pavel Malkov, confirmou “um incêndio no território de uma das empresas locais devido à queda de destroços de drones”, mas não mencionou ataques ucranianos. O responsável afirmou ainda que as defesas aéreas russas abateram 14 drones.

Campanha prolongada contra o petróleo russo

Desde o final de julho, a Ucrânia tem lançado ataques quase diários contra refinarias e infraestruturas energéticas dentro da Rússia, recorrendo a drones movidos a hélice e a jato desenvolvidos internamente. Dados compilados pelo ‘Kyiv Post’ indicam que mais de 20 refinarias russas foram atingidas desde agosto, com cerca de metade a sofrer múltiplos ataques. As perdas resultantes terão reduzido em cerca de 20% a capacidade total de refinação da Federação Russa.

Fontes citadas pelo jornal acrescentam que, entre 26 de julho e 23 de outubro, as forças ucranianas realizaram pelo menos 83 ataques de longo alcance contra alvos energéticos na Rússia e em territórios ocupados, incluindo instalações em Sochi, Crimeia, Volgogrado, Samara, Daguestão, Riazan e Rostov.

Escassez de combustível e novas restrições

A ofensiva já tem impacto interno. De acordo com o ‘Moscow Times’, regiões como Irkutsk, Buriácia e Transbaikália enfrentam escassez e racionamento de combustíveis, com limites de 20 litros por veículo em alguns postos. Apesar disso, Moscovo, São Petersburgo e Krasnodar têm permanecido, até agora, amplamente protegidas das consequências diretas.

Enquanto a Rússia tenta conter os danos e a Ucrânia reforça o uso estratégico de drones, os ataques a refinarias e oleodutos tornaram-se um elemento central da guerra energética que se desenrola paralelamente ao conflito militar.

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