A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma tendência tecnológica para se tornar uma estratégia central nas decisões empresariais. De acordo com o relatório ‘Global CEO Outlook 2025’, da KPMG, 71% dos líderes de grandes empresas em todo o mundo consideram a IA a sua principal prioridade de investimento para 2026.
O estudo, que reflete a visão de centenas de executivos globais, mostrou que 69% dos CEO planeiam destinar entre 10 e 20% dos seus orçamentos a esta tecnologia. Apesar da incerteza económica, marcada por volatilidade e uma confiança global que caiu para 68% — o valor mais baixo desde 2021 —, as empresas continuam a apostar no crescimento através da inovação tecnológica e da gestão de talentos.
Segundo a KPMG, 92% dos inquiridos pretendem aumentar o número de colaboradores, sinalizando que o capital humano permanece essencial para o crescimento sustentável. “Os CEO veem a IA e o talento como impulsionadores de competitividade e desenvolvimento num contexto desafiante”, afirmou Víctor Esquivel, sócio-gerente da KPMG México, citada pela publicação espanhola ‘Merca2.0’.
Embora o entusiasmo pela IA seja evidente, os executivos reconheceram os desafios éticos e regulatórios associados. Entre as principais preocupações estão as implicações éticas (59%), a preparação dos dados (52%) e a ausência de regulamentação (50%).
A mesma análise da KPMG indica que 61% das empresas já estão a contratar profissionais com competências em IA, enquanto 70% admitem preocupação com a escassez de talentos qualificados. Para Luis Laguerre, sócio-gerente da KPMG Panamá, “a adoção de novas tecnologias na América Central deverá transformar o mercado, exigindo mais investimento e formação para as equipas”.
O relatório revelou também que 61% dos líderes acreditam conseguir atingir emissões líquidas zero até 2030, demonstrando um compromisso sólido com os objetivos ambientais, sociais e de governança (ESG). Apesar das diferenças regionais, a sustentabilidade continua a ser um eixo estratégico transversal às grandes empresas.
CEO apostam em crescimento cauteloso e fusões estratégicas
Apesar das incertezas, 89% dos líderes esperam aumento de atividade em fusões e aquisições (M&A) nos próximos meses, com 40% a preverem um crescimento dos lucros superior a 2,5%. No entanto, os riscos mantêm-se: o cibercrime (79%), a preparação da força de trabalho (77%) e a integração da IA nos processos (75%) figuram entre as principais ameaças ao crescimento.
Perante um cenário global complexo, 72% dos executivos já adaptaram os seus planos de crescimento. As competências mais valorizadas para enfrentar os desafios incluem agilidade na tomada de decisões (26%), transparência na comunicação (24%) e capacidade de gestão de riscos (23%).
O ‘Global CEO Outlook 2025’ concluiu que a combinação entre IA, talento e sustentabilidade constitui o novo tripé estratégico do mundo empresarial. Mesmo num ambiente de confiança em queda, os líderes globais veem nestes pilares uma oportunidade para reforçar a competitividade, acelerar a transformação digital e garantir um crescimento equilibrado e sustentável.





