A presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), Ema Paulino, defendeu que os medicamentos de baixo custo devem ter uma atualização “ajuizada” nos preços, sob pena de desaparecerem das prateleiras e serem substituídos por opções mais caras. “Quando não temos esses medicamentos mais baratos, a substituição vai ser automaticamente por medicamentos mais caros. Não representa um encargo significativo nem para as pessoas nem para o SNS, mas pode resolver problemas e até representar poupanças a esse nível”, afirmou. Segundo o jornal Público, a ANF considera que a medida deve avançar já em 2026, garantindo sustentabilidade ao circuito do medicamento.
O alerta surge num momento em que a campanha de vacinação sazonal contra a gripe e a covid-19 está a decorrer com menor adesão inicial, apesar de já terem sido administradas cerca de 100 mil vacinas contra a gripe e 58 mil contra a covid-19. Para Ema Paulino, a hesitação é explicada pela “perceção de saturação” e pela ideia de menor gravidade da doença, mas insiste que a vacinação continua essencial para reforçar a proteção da população. Ainda segundo o Público, a ANF aguarda também as mudanças que a Direção-Geral da Saúde deverá anunciar no Programa Nacional de Vacinação, defendendo que as farmácias devem manter a capacidade de administrar todas as vacinas.
Outro tema em destaque é o papel dos farmacêuticos no tratamento de infeções ligeiras. A Ordem dos Médicos criticou a proposta, mas a presidente da ANF esclarece que não está em causa diagnosticar ou prescrever, e sim alargar a avaliação já feita em situações clínicas específicas com recurso a testes rápidos, como acontece no Reino Unido. “Temos equipas altamente qualificadas e disponíveis para realizar essa avaliação e comunicar, naturalmente, com o médico”, sublinha.
A ANF lembra ainda que continua por concretizar o alargamento da dispensa de medicamentos hospitalares em farmácias comunitárias. Apesar de mais de 2600 farmácias estarem preparadas, apenas 150 estão envolvidas no sistema e pouco mais de 250 pessoas beneficiam atualmente do serviço, quando o objetivo é chegar a cerca de 150 mil utentes. O atraso deve-se a questões tecnológicas que deverão ser resolvidas até ao final do ano.
No que respeita à escassez de medicamentos, Ema Paulino admite que persiste a falta de alguns fármacos, em particular para a diabetes e obesidade, mas defende soluções tecnológicas que garantam uma distribuição equitativa. Ainda assim, sublinha que a despesa em medicamentos no SNS está hoje mais equilibrada e que a revisão dos preços mais baixos é essencial para assegurar o abastecimento e evitar ruturas no futuro.














