A Índia voltou a demonstrar a sua capacidade nuclear ao realizar, esta quarta-feira, o lançamento de um míssil balístico Agni-Prime, num exercício que decorreu enquanto um navio-espião chinês permanecia no oceano Índico a acompanhar os desenvolvimentos.
O teste, anunciado pelo Ministério da Defesa indiano, teve lugar a 24 de setembro a partir de uma plataforma ferroviária móvel, em local não divulgado, e decorreu, segundo Nova Deli, em “cenário operacional completo”.
O Agni-Prime, também conhecido como Agni-P, é apresentado como uma “nova geração de míssil balístico com capacidade nuclear”. Com um alcance declarado entre 1.000 e 2.000 quilómetros, o sistema parece ter sido desenvolvido sobretudo para cenários envolvendo o Paquistão, dada a distância relativamente limitada para atingir alvos em território chinês a partir do norte da Índia.
O ministério sublinhou que o lançamento cumpriu “todos os objetivos estabelecidos” e destacou que o sistema ferroviário de lançamento permite mobilidade em todo o território, assegurando um disparo com tempo de reação reduzido, além de maior dificuldade de deteção. “O sistema ferroviário de lançamento é autossustentável e está equipado com todas as funcionalidades de lançamento independente, incluindo comunicações de última geração e mecanismos de proteção”, detalhou a nota oficial.
O ensaio ocorre num momento de forte tensão no sul da Ásia. A Índia e o Paquistão travaram, em maio, uma guerra convencional de grande escala, intensificando rivalidades que se estendem há décadas e que incluem o arsenal nuclear de ambos os países. Nova Deli possui cerca de 180 ogivas nucleares, segundo estimativas do Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (SIPRI), enquanto Islamabad terá 170.
Já Pequim, aliado de Islamabad e adversário de Nova Deli em várias disputas fronteiriças, conta com cerca de 600 ogivas nucleares. No início deste mês, a China realizou uma parada militar de grande visibilidade para apresentar os seus novos mísseis estratégicos.
Dias antes do teste indiano, a 18 de setembro, o navio chinês Yuan Wang 5, especializado em rastreamento de mísseis e satélites, foi detetado no oceano Índico, perto da Indonésia. Não está confirmado se a embarcação foi destacada especificamente para recolher informações sobre o Agni-Prime, mas a sua presença coincidiu com a preparação indiana, que incluiu a imposição de uma zona de exclusão aérea sobre o golfo de Bengala, válida entre 24 e 25 de setembro.
O ministro da Defesa indiano, Rajnath Singh, escreveu na rede social X: “Este teste bem-sucedido colocou a Índia no grupo restrito de nações que desenvolveram sistemas de lançamento encapsulados a partir de rede ferroviária móvel.”
Já em 2021, o International Institute for Strategic Studies (IISS) assinalava, no âmbito da sua iniciativa Missile Dialogue, que o Agni-Prime poderia não se limitar ao uso nuclear: “A menos que a Índia pretenda usar o Agni-P exclusivamente para armamento nuclear, fica em aberto a possibilidade de que o novo míssil seja equipado — tal como algumas variantes anteriores da família Agni — com ogivas convencionais ou nucleares.”













