Portugal tem o aeroporto ‘mais assustador’ da Europa: sabe onde fica?

Ranking é o primeiro modelo de pontuação que combina dados operacionais oficiais com fatores sensoriais conhecidos por aumentar o medo de voar, atribuindo a cada aeroporto (0 a 100) uma nota em sete fatores de stresse percetíveis pelos passageiros

Francisco Laranjeira
Setembro 24, 2025
16:08

Portugal lidera o ranking dos 10 aeroportos europeus com maior probabilidade de desencadear ansiedade nos passageiros. O Aeroporto Internacional da Madeira Cristiano Ronaldo, situado em Funchal, capital da Madeira, alcançou 88 pontos no Índice de Desconforto e Exposição no Mundo Real dos Passageiros (PURE), desenvolvido pelos analistas de aviação da AirAdvisor, plataforma global de tecnologia jurídica dedicada a fazer valer os direitos dos passageiros aéreos.

Este ranking é o primeiro modelo de pontuação que combina dados operacionais oficiais com fatores sensoriais conhecidos por aumentar o medo de voar, atribuindo a cada aeroporto (0 a 100) uma nota em sete fatores de stresse percetíveis pelos passageiros.

O CEO e fundador da AirAdvisor, Anton Radchenko, explica que esse ranking identifica os aeroportos europeus com maior probabilidade de desencadear ansiedade nos passageiros, não por serem inseguros, mas pela frequência com que os passageiros são expostos a condições que aumentam o stress, como descidas íngremes, ventos cruzados, pistas curtas ou aproximações bruscas.

“Não se trata de segurança; os voos comerciais continuam a ser extraordinariamente seguros. Trata-se de onde os passageiros têm maior probabilidade de sentir turbulência, rajadas de vento, arremetidas ou aproximações incomuns”, apontou. Os aeroportos Gibraltar, no Território Ultramarino do Reino Unido, Innsbruck, na Áustria e London City, no Reino Unido completam a lista dos quatro aeroportos da Europa com maior probabilidade de assustar os passageiros.

De acordo com o CEO da AirAdvisor, os aeroportos insulares dominam a lista, desde a Madeira e Gibraltar até às ilhas gregas e Tenerife devido às localizações que são à beira-mar, o que os torna especialmente expostos a ventos cruzados e rajadas sazonais. Outro ponto são os penhascos circundantes e as pistas curtas, que aumentam a intensidade da experiência para os passageiros.

O responsável comentou ainda que, mesmo que estes aeroportos sejam totalmente certificados e seguros, pistas incomuns destacam-se como amplificadores de estresse, como acontece na Ilha da Madeira, onde a pista está empoleirada em pilares de betão sobre o oceano, assim como acontece em Skiathos, na Grécia, com a pista terminando logo após uma via pública e praia. O CEO da AirAdvisor cita também a famosa descida íngreme do London City, que cria visuais altamente dramáticos que, geralmente, fazem os passageiros agarrarem os seus apoios de braços

Outro fator recorrente que pode amplificar o stresse entre os passageiros, segundo Anton Radchenko, é o terreno montanhoso nas proximidades dos aeroportos. Em Tenerife, por exemplo, ele explica que em Innsbruck, os vales situam-se muito próximos da pista de aterragem, o que obriga os pilotos a realizar manobras circulares e mudanças repentinas de rumo.

Procedimentos de voo que são comuns para os pilotos nesta região, mas provocam situações stressantes para os passageiros ansiosos. Ele avalia que, para os passageiros ansiosos, estes momentos podem ser perturbadores e o índice da AirAdvisor visa ajudá-los a antecipar essas experiências, a compreender que são normais e a ter a certeza de que os pilotos estão totalmente treinados para lidar com elas em segurança.

“O nosso objetivo com este ranking é contextualizar estes números para os viajantes”, explica Anton Radchenko, CEO da AirAdvisor. “Quando os passageiros sabem que são esperadas turbulências, arremetidas ou atrasos devido às condições meteorológicas em determinados aeroportos, podem reconhecê-los como partes rotineiras da aviação, e não como sinais de que algo está errado.”

Medo de voar

O medo de voar afeta cerca de um em cada quatro europeus, sendo que cerca de 10% sentem ansiedade severa ao embarcar num avião. Para estes passageiros, as turbulências ou aproximações invulgares são frequentemente percebidas como sinais de perigo, mesmo que não o sejam. Como forma de auxiliar o viajante aéreo, Anton Radchenko conta que a AirAdvisor desenvolveu um guia gratuito para Viajantes Nervosos, com informações para auxiliar na superação do medo de voar e ter uma experiência mais descontraída. (https://airadvisor.com/pt/blog/vencer-o-medo-de-voar-dicas-e-truques-eficazes-para-um-voo-mais-descontraido)

Anton Radchenko comenta que, na realidade, estas situações são rotineiras na aviação. De acordo com a NATS, as arremetidas, quando os pilotos abortam uma aterragem e tentam novamente, acontecem cerca de uma vez por dia num grande aeroporto europeu. Durante as tempestades, este número pode chegar às dezenas, mas cada uma delas é uma manobra padrão e bem ensaiada.

O clima também é outro fator que influencia o andamento dos voos. Dados da EUROCONTROL mostram que, em 2024, quase 25% de todos os atrasos de voos na Europa foram causados ​​por condições meteorológicas adversas. Para os passageiros nervosos, isto traduz-se em mais esperas, desvios e descidas acidentadas, todos completamente seguros, mas frequentemente estressantes.

Confira a lista dos 10 aeroportos mais difíceis da Europa para viajantes nervosos:

1.Funchal/Madeira (Portugal) – 88/100
2. Gibraltar (Território Ultramarino do Reino Unido) – 84/100
3. Innsbruck (Áustria) – 83/100
4. London City (Reino Unido) – 81/100
5. Vágar/Ilhas Faroé (Dinamarca) – 79/100
6. Keflavík (Islândia) – 76/100
7. Skiathos (Grécia) – 75/100
8. Santorini (Grécia) – 72/100
9. Mykonos (Grécia) – 70/100
10. Tenerife Norte (Espanha, Canárias) – 68/100

Como funciona o Índice PURE

O modelo pontua cada aeroporto (0 a 100) em 7 “fatores de estresse” percetíveis pelos passageiros”:

– Exposição ao vento e turbulência (40%) – a frequência com que os ventos locais, os ventos cruzados ou as ondas de montanha criam condições irregulares e obrigam a desvios.

– Geometria de aproximação (20%) – se as aterragens exigem descidas íngremes, curvas apertadas ou procedimentos especiais em vez de uma aproximação direta.
Restrições da via (15%) – os limites da própria via, como o comprimento curto, a largura estreita, o declive ou desenhos invulgares, como o viaduto da Madeira.

– Proximidade do terreno (10%) – a proximidade de montanhas, penhascos ou água em redor do aeroporto que pode moldar as aproximações e causar uma sensação de intimidação.

– Variabilidade operacional (10%) – com que frequência os passageiros provavelmente enfrentarão arremetidas, padrões de espera ou atrasos relacionados com o clima.
Pico de sazonalidade (3%) – se determinados meses (como os ventos de Meltemi no verão do Mar Egeu) trazem condições de voo mais fortes e perturbadoras.

Indícios sensoriais (2%) – as visões ou sensações dramáticas que podem amplificar o desconforto, como voar baixo sobre uma praia ou ver a pista empoleirada sobre o mar.

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