Da Silva, Ferreira e Pereira: Na Suíça francesa, 9 dos 10 apelidos mais comuns são portugueses

Entre as estatísticas, da Silva surge em primeiro lugar com uma distância significativa sobre os restantes, evidenciando uma presença marcante da comunidade portuguesa na região.

Pedro Gonçalves
Setembro 24, 2025
13:23

Um estudo recente divulgado pelo Gabinete Federal de Estatística da Suíça (OFS na sigla original) revela uma realidade surpreendente: no cantão francês da Suíça, nove dos dez apelidos mais comuns têm origem portuguesa. Entre as estatísticas, da Silva surge em primeiro lugar com uma distância significativa sobre os restantes, evidenciando uma presença marcante da comunidade portuguesa na região.

De acordo com os dados publicados em agosto de 2025, a Suíça conta com mais de 182.860 apelidos diferentes em todo o país. Embora a predominância geral recaia sobre apelidos de origem germânica — como Müller, Meier ou Schmid — a situação muda completamente quando se olha para a Suíça romanda, onde a influência portuguesa se destaca com grande intensidade.

Em território romando, da Silva é o apelido mais frequente, registando 10.222 ocorrências. Este nome domina o ranking em 50 comunas, incluindo cidades de grande relevância como Genebra, Lausanne, Friburgo e Neuchâtel. Este domínio revela não só a importância demográfica da comunidade portuguesa, mas também a sua integração cultural na região.

Lista dos dez apelidos mais comuns na Suíça francesa (por ordem de registos):

  1. Da Silva — 10.222 registos
  2. Ferreira — 7.256 registos
  3. Pereira — 6.694 registos
  4. dos Santos — 5.843 registos
  5. Rodrigues — 5.213 registos
  6. Favre — 4.922 registos
  7. Gomes — 4.390 registos
  8. Fernandes — 3.887 registos
  9. Lopes — 3.833 registos
  10. Martins — 3.728 registos

Entre estes, apenas Favre não é de origem portuguesa, sendo um apelido tradicional suíço.

O OFS divulga dados sobre apelidos apenas quando existem pelo menos três pessoas com o mesmo nome numa comuna, garantindo assim a proteção da privacidade. A emissora RTS reforçou essa política, excluindo da sua análise apelidos com menos de oito ocorrências por comuna.

Este levantamento permite compreender não só a distribuição geográfica dos apelidos, mas também traçar um retrato sociológico da Suíça, evidenciando padrões migratórios e a influência de comunidades estrangeiras na composição demográfica.

Segundo o estudo, enquanto os nomes germânicos dominam grande parte da Suíça alemã — como Müller, que é o mais frequente no país com mais de 52.500 registos — a realidade da Suíça romanda é distinta. Aqui, a comunidade portuguesa assume uma posição predominante, tanto em termos numéricos como culturais.

A forte presença de apelidos portugueses na Suíça francesa reflete décadas de migração e integração. Estes números não apenas ilustram a dimensão dessa comunidade, mas também apontam para uma influência duradoura na identidade local.

Como destaca um estudo recente do OFS, “a diversidade de apelidos é um reflexo direto das trajetórias migratórias, e a predominância dos nomes portugueses em regiões específicas revela uma ligação sólida entre migração e identidade cultural” (OFS, 2025).

Este fenómeno não se limita a estatísticas: traduz-se em bairros, redes comunitárias e contributos significativos para a economia e cultura locais.

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