O líder norte-coreano, Kim Jong Un, voltou a subir o tom no discurso político e militar, ao revelar a existência de “armas secretas” e destacar avanços significativos na defesa nacional. As declarações foram feitas este domingo durante uma sessão da Assembleia Popular Suprema, uma das raras ocasiões em que o parlamento do país se reúne e momento que é habitualmente escrutinado em busca de sinais sobre as intenções estratégicas do regime.
Segundo a agência oficial Korean Central News Agency (KCNA), Kim assegurou que a Coreia do Norte está a dar “saltos incessantes no reforço da capacidade de defesa do país”. “Adquirimos novas armas secretas e alcançámos resultados consideráveis na ciência e investigação de defesa que irão contribuir de forma decisiva para um novo salto radical nas nossas capacidades militares”, afirmou, sem, contudo, fornecer detalhes técnicos sobre os alegados armamentos.
Kim aproveitou ainda o momento para salientar o reforço da marinha norte-coreana, descrevendo o lançamento de dois destróieres em 2025 como um “passo importante” para transformar o país numa potência marítima.
Ao mesmo tempo, acusou os Estados Unidos e os seus aliados regionais, Coreia do Sul e Japão, de conduzirem ações militares “aventurosas” que aumentam o risco de confronto nuclear. Para o líder norte-coreano, o atual contexto de segurança é “mais severo do que nunca”.
Rejeição da desnuclearização
Kim descartou mais uma vez qualquer hipótese de abdicar do arsenal nuclear. “Os esforços de desnuclearização não terão sucesso, nem mesmo daqui a 100 anos”, declarou, reafirmando o compromisso de Pyongyang em prosseguir com os seus programas nucleares e de mísseis balísticos, apesar das proibições impostas pelas Nações Unidas.
Ainda assim, deixou em aberto a possibilidade de uma aproximação diplomática, desde que Washington mude de postura: “A Coreia do Norte está preparada para procurar uma coexistência pacífica com os Estados Unidos se abandonarem a sua absurda obsessão pela desnuclearização”, disse Kim.
As palavras de Kim surgem num contexto em que Pyongyang continua a expandir tanto o arsenal nuclear como as forças convencionais, e num momento em que cresce a convicção, entre responsáveis norte-americanos e aliados, de que a Coreia do Norte terá recebido tecnologia militar avançada da Rússia. Em troca, Pyongyang teria fornecido munições e tropas para apoiar a guerra russa na Ucrânia.
De acordo com autoridades sul-coreanas, a inteligência disponível sugere que Moscovo terá acordado fornecer caças e tecnologia de submarinos nucleares à Coreia do Norte, após a assinatura de um novo pacto militar entre os dois países no ano passado.
O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, procurou abrir espaço para uma solução alternativa, admitindo à BBC que poderá aceitar um acordo que permita à Coreia do Norte congelar temporariamente o programa nuclear. “A questão é se devemos insistir num objetivo final inútil [a desnuclearização], ou se devemos adotar uma meta mais realista e alcançar pelo menos parte dela”, afirmou Lee.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a destacar a sua relação pessoal com Kim Jong Un. “Entendo-me muito bem com ele. Espero encontrá-lo num futuro apropriado”, disse no mês passado a jornalistas. Trump reuniu-se três vezes com o líder norte-coreano durante o seu primeiro mandato, mas as tentativas de alcançar um acordo de desnuclearização fracassaram.













