“Oxigénio escuro”: cientistas terão descoberto no fundo do Pacífico a ‘solução’ para todos os problemas energéticos?

Num artigo publicado no portal ‘Popular Mechanics’, os cientistas descobriram que os nódulos polimetálicos no fundo do oceano produzem oxigénio em completa escuridão – um fenómeno agora designado por “oxigénio escuro”

Francisco Laranjeira
Setembro 22, 2025
14:22

Nas profundezas do Oceano Pacífico pode estar uma ‘surpresa’ que deverá mudar a nossa compreensão da Terra, e até influenciar a procura de vida noutros planetas. Mas, acima da tudo, resolver todos os problemas energéticos.

Num artigo publicado no portal ‘Popular Mechanics’, os cientistas descobriram que os nódulos polimetálicos no fundo do oceano produzem oxigénio em completa escuridão – um fenómeno agora designado por “oxigénio escuro”. A descoberta foi feita na Zona Clarion-Clipperton (CCZ), uma planície de 4,5 milhões de quilómetros quadrados situada entre o Havai e o México.

A zona, além do rico ecossistema marinho, é famosa pelos nódulos polimetálicos, repletos de metais como níquel, cobalto, manganésio, cobre e zinco, essenciais para tecnologias de energia verde – estes nódulos são conhecidos como “bateria numa rocha” entre as empresas de mineração.

No entanto, estes nódulos podem ter um papel ainda mais especial: os investigadores descobriram que geram oxigénio a quatro mil metros de profundidade, onde não há luz solar, o que desafia a visão de longa data que o oxigénio da Terra originou-se apenas de organismos fotossintéticos.

Andrew Sweetman, primeiro autor do estudo, explicou que a descoberta obriga os cientistas a repensar questões sobre a origem da vida aeróbica. “Tinha de haver oxigénio para que a vida aeróbica pudesse começar. Mas agora sabemos que há oxigénio produzido nas profundezas do oceano, onde não existe luz”, salientou o investigador.

Experiências em laboratório demonstraram que os próprios nódulos, mesmo sem microrganismos, produziam oxigénio através de um processo eletroquímico natural — atuando essencialmente como pequenas “geobaterias” que separam a água do mar em hidrogénio e oxigénio. A descoberta trouxe novo fôlego à questão da mineração em águas profundas: empresas querem avançar com projetos, houve 25 países que apelaram à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos para impor uma moratória.

“A produção de oxigénio no fundo do mar pelos nódulos polimetálicos é uma nova função do ecossistema que precisa de ser considerada na avaliação do impacto da mineração em águas profundas”, apontou Lisa Levin, da Scripps Institution of Oceanography.

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