O índice global de preços alimentares compilado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) registou em agosto a terceira subida mensal consecutiva, consolidando uma tendência que, em 2025, só conheceu recuo num dos oito primeiros meses do ano.
Apesar de o indicador estar 18,8% abaixo do pico histórico de março de 2022, no auge da crise desencadeada pela invasão russa da Ucrânia, os números mais recentes revelam pressões que continuam a influenciar os mercados internacionais, desde as ondas de calor na Europa até à política protecionista da Administração norte-americana.
Índice estabiliza mas mantém trajetória ascendente
De acordo com o relatório publicado esta sexta-feira, o índice global da FAO, que acompanha os preços de cereais, óleos alimentares, carne, leite e derivados e açúcar, fixou-se em 130,1 pontos em agosto, praticamente inalterado face a julho (130,0 pontos). Ainda assim, o valor representa uma subida de 6,9% em relação ao mesmo período de 2024.
Com exceção de maio, todos os meses de 2025 registaram aumentos, contrastando com a tendência de descida observada ao longo de 2024.
Carne bovina atinge máximo histórico em 35 anos
Entre os diferentes produtos analisados, a carne destacou-se. O índice específico atingiu 128 pontos, o valor mais alto desde que a FAO começou a compilar dados há 35 anos.
“Os preços internacionais da carne bovina atingiram um novo recorde”, sublinha a agência. A explicação passa pela forte procura dos Estados Unidos, que impulsionou as cotações australianas, e pela procura robusta da China, que sustentou os preços de exportação do Brasil, mesmo após a imposição de tarifas adicionais por Washington.
O índice da carne subiu 0,6% em cadeia face a julho e 5,9% em comparação com agosto de 2024. O Brasil, tal como a Índia, foi um dos países mais afetados pela política comercial mais restritiva da Administração de Donald Trump, que iniciou o segundo mandato em fevereiro.
Óleos vegetais e açúcar em alta
Também os óleos vegetais registaram um aumento de 1,4% face ao mês anterior, alcançando o nível mais alto desde julho de 2022. A subida deveu-se sobretudo às cotações mais elevadas do óleo de palma, de girassol e de colza, que compensaram uma ligeira queda no óleo de soja.
No açúcar, o índice fixou-se em 103,6 pontos. Apesar de estar 9% abaixo do máximo registado em 2024, assinalou uma ligeira subida de 0,2% em agosto, interrompendo uma sequência de cinco meses de descida.
Cereais e lacticínios aliviam pressão global
Em contrapartida, os cereais registaram uma queda de 0,8% em cadeia e uma descida de 4,5% face a agosto de 2024. A FAO justifica o recuo com as perspetivas de colheitas mais abundantes na União Europeia e na Rússia.
“Os preços internacionais do trigo diminuíram em relação ao mês anterior, refletindo a oferta global abundante e a procura moderada por parte dos importadores, especialmente dos principais compradores da Ásia e do Norte de África”, refere a nota.
Já o milho seguiu direção oposta e registou a terceira subida mensal consecutiva, pressionado pelas preocupações com o impacto das ondas de calor nas colheitas europeias e pelo aumento da procura para rações animais e para produção de etanol, sobretudo nos Estados Unidos.
No caso do leite e derivados, o índice caiu pelo segundo mês seguido, situando-se em 152,6 pontos, uma descida de 1,3% em relação a julho. Apesar disso, manteve-se 16,2% acima do valor registado em agosto do ano passado. Segundo a FAO, esta evolução reflete “os preços internacionais mais baixos da manteiga, do queijo e do leite em pó completo”.
Os preços da manteiga caíram 2,5%, influenciados pela forte produção da Nova Zelândia e pelo aumento da disponibilidade na União Europeia durante o período de férias.














