Se acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira do Sector Segurador e dos Fundos de Pensões, publicado pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) em Dezembro de 2023, registou-se uma ligeira melhoria na posição de solvência do sector segurador em Portugal. O rácio de cobertura do SCR (Solvency Capital Requirement) para as empresas de seguros sob supervisão prudencial da ASF fixou-se em 203,9%, e o rácio de cobertura do MCR (Minimum Capital Requirement) atingiu 551,6% no final de Setembro de 2023.
No entanto, o Relatório do Sector Segurador e dos Fundos de Pensões de 2023 indica um ligeiro decréscimo (-1%) na produção total de seguros no mercado nacional. Esta evolução reflectiu o comportamento do ramo Vida (-12,4%), essencialmente devido à redução nos produtos Vida ligados. Em contrapartida, os ramos Não Vida mantiveram uma trajectória de crescimento sustentado (11,1%), passando a representar a maior parte da produção total de seguros (54,4%), em detrimento do segmento Vida.
A promoção de uma estratégia de literacia financeira é crucial, e a actividade seguradora desempenha um papel fundamental nesse contexto. É importante introduzir conceitos que ajudem os consumidores a compreender os seguros e produtos financeiros que contratam. Para decisões informadas, é relevante entender os diferentes tipos de seguros, desde os de protecção de vida aos de protecção de bens, passando por instrumentos de poupança e investimento. Além disso, as seguradoras têm investido em soluções digitais e tecnologicamente avançadas para acompanhar as tendências actuais e estar mais próximas dos clientes.
Contratar um produto de uma seguradora pode servir diferentes objectivos. Por um lado, o papel mais óbvio: proteger-se a si próprio ou a um bem contra determinados factores de risco. Neste campo, incluem-se os seguros de vida, saúde, multirriscos, automóvel ou de crédito, entre outros. Por outro lado, as seguradoras oferecem produtos financeiros, como Planos Poupança Reforma (PPR) ou outros instrumentos de poupança e investimento, muitas vezes com taxas atractivas.
As seguradoras estão a modernizar-se para dar resposta às necessidades dos cidadãos, oferecendo soluções mais personalizadas e ampliando as coberturas para que os clientes se sintam mais protegidos e possam seleccionar as opções que melhor respondam às suas necessidades. Para estarem mais próximas dos seus clientes, têm investido em tecnologia e soluções rápidas, como a utilização de aplicações móveis e plataformas de comunicação instantânea, facilitando a comunicação de sinistros e a gestão de apólices.
Um exemplo evidente desta actualização é a possibilidade de comunicar e gerir sinistros através de plataformas digitais, como a e-Segurnet, que permite a participação electrónica de sinistros automóvel, facilitando a regularização e sendo uma alternativa à tradicional declaração amigável.
Para entender melhor a tipologia de seguros, a lei divide-os em duas categorias: o ramo “Vida”, que engloba os seguros de vida clássicos e os seguros financeiros; e o ramo “Não Vida”, que inclui todos os seguros que têm como objecto bens patrimoniais e também os seguros pessoais (excepto o seguro de vida). Os seguros “Não Vida” englobam os seguros de responsabilidade civil, danos de bens materiais e danos pessoais, como o seguro automóvel, multirriscos habitação, saúde e acidentes pessoais, entre outros.
Os novos seguros que vão sendo criados pertencem normalmente ao ramo “Não Vida”, visando proteger bens patrimoniais. Desta forma, alarga-se a oferta das seguradoras, criando seguros mais específicos e direccionados para as novas necessidades dos consumidores ou das empresas. Por exemplo, numa altura em que os animais assumem um papel ainda mais preponderante no seio das famílias, as seguradoras têm investido em seguros para animais de companhia, que incluem desde a responsabilidade civil até coberturas de despesas médicas.
Além das categorias de seguros mais clássicas, as seguradoras apresentam novos produtos financeiros no campo do investimento e da poupança. Neste contexto, além dos típicos PPR, as seguradoras estão a inovar em instrumentos financeiros que permitem aplicar poupanças em fundos de acções com diferentes graus de risco e expectativa de retorno. Muitos destes produtos têm uma forte ligação à tecnologia e podem ser contratados e geridos online, atraindo as camadas mais jovens para as opções propostas pelas seguradoras.
Acima de tudo, para qualquer necessidade de seguro, é muito importante estabelecer quais os objectivos, o que se pretende assegurar e ler as apólices com atenção, para comparar as diversas opções e avaliar a que melhor responde às suas necessidades individuais.













