Por Luís Silva, presidente da Porto Tech Hub
No atual contexto de transformação digital, os perfis tecnológicos, e principalmente os especializados em ferramentas e tecnologias emergentes, são alguns dos mais procurados no mercado de trabalho. Face a esta realidade (e desafio), a capacidade de atrair e reter talento tecnológico exige, agora, uma abordagem diferenciadora por parte das empresas, que priorize verdadeiramente as necessidades dos profissionais. Construir uma proposta de valor é, assim, a chave para que as empresas se tornem mais atrativas para o talento. Mas que medidas e benefícios devem os líderes ter em conta?
Atualmente, ainda existe a ideia de que os programadores e engenheiros informáticos têm como prioridade o salário elevado. Contudo, embora uma remuneração justa importe, existem hoje fatores igualmente relevantes, nomeadamente no que respeita ao bem-estar, desenvolvimento e concretização dos profissionais.
Muitos profissionais de tecnologia procuram, hoje, trabalhar em projetos com propósito, que tenham um impacto real. De facto, cada vez mais querem que as suas soluções consigam resolver problemas concretos do mundo real, e não apenas cumprir KPIs. Ao mesmo tempo, e especialmente em startups, noto que valorizam bastante a liberdade para tomar decisões e experimentar novas abordagens de forma autónoma. Importa, por isso, que as empresas promovam ambientes flexíveis, que permitam aos profissionais trabalhar onde e quando se sentem mais produtivos. Esta liberdade e adaptabilidade é fundamental para motivar e, ao mesmo tempo, reter as equipas, que sentem confiança por parte do seu empregador.
Outro ponto crítico que as lideranças devem considerar é a promoção de um ambiente de aprendizagem contínua. Na verdade, a melhor forma de manter o talento tecnológico em constante crescimento passa por criar uma cultura de partilha de conhecimento e de atualização de competências. Dinamizar formações ou workshops que promovam o upskilling e reskilling é fundamental para que as equipas consigam acompanhar tendências e necessidades do mercado, mantendo-se sempre relevantes e capazes de responder aos desafios. Ter em conta as necessidades e prioridades do talento e desenvolver estratégias efetivas que promovam o seu bem-estar é também essencial para que este se sinta valorizado, respeitado, motivado e comprometido com o negócio.
A capacidade de atrair e reter talento deve ser uma prioridade de qualquer empresa. As pessoas são o ativo mais valioso de qualquer organização, que só consegue crescer se contar com equipas comprometidas e com vontade de continuar a desenvolver as melhores soluções. Hoje, o talento tecnológico não procura apenas um emprego; quer fazer parte de algo maior. Por isso, para um futuro ainda mais inovador, cabe às lideranças saber ouvir e adaptar aquilo que têm para oferecer.




