Paulo Rangel acha normal que PR peça fiscalização ao TC numa “matéria muito sensível

O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou hoje normal que o Presidente da República tenha pedido ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva da proposta de revisão da lei de estrangeiros, defendendo que se trata de uma “matéria muito sensível”.

Executive Digest com Lusa

O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou hoje normal que o Presidente da República tenha pedido ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva da proposta de revisão da lei de estrangeiros, defendendo que se trata de uma “matéria muito sensível”.

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“A coisa mais normal que existe, e até compreensível, é que o Presidente da República, em determinadas matérias, exercite o seu poder, o seu direito de fiscalização preventiva”, afirmou Paulo Rangel, à margem de do “EurAfrican Forum”, a decorrer hoje em Carcavelos, Cascais.

“Esta é uma matéria muito sensível e, portanto, é natural que o chefe de Estado tenha essa precaução antes de fazer um juízo substantivo sobre a lei e, portanto, isto é a democracia a funcionar normalmente”, acrescentou o também ministro de Estado.

Paulo Rangel, que é constitucionalista de formação, rejeitou, no entanto, ter dúvidas sobre a constitucionalidade da lei.

“Sendo eu membro do Governo, isto é, tendo assento no Conselho de Ministros, não ia achar que há normas que têm inconstitucionalidade”, sublinhou.

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“Agora, como constitucionalista, sei que muitas vezes defendi e defendo que certas normas são perfeitamente constitucionais e o Tribunal Constitucional decidiu entender de maneira diferente”, admitiu, sublinhando que “essas decisões são sempre para se respeitar”.

O ministro sublinhou que a situação deve ser encarada “com profunda normalidade e sem dramatismo”, dizendo que “como há divergências políticas grandes, não é mau fazer essa arbitragem”.

A possibilidade de Marcelo Rebelo de Sousa ter feito o pedido de fiscalização preventiva como uma espécie de aviso ao Governo foi também afastada por Paulo Rangel, considerando que o Presidente da República, “quando quer dar avisos, não os manda através de requerimentos”.

O Presidente da República enviou na quarta-feira para o Tribunal Constitucional o decreto do parlamento que altera o regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional, aprovado por PSD, Chega e CDS-PP.

O pedido de fiscalização, que o chefe de Estado pedi para ser feito com urgência, contesta as alterações ao reagrupamento familiar introduzidas no regime de entrada de estrangeiros no país, invocando o princípio da união familiar e o superior interesse da criança.

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