Portugal tem vindo a registar um aumento significativo nos salários reais — ou seja, já ajustados pela inflação — desde 2021, segundo dados recentes da OCDE. Enquanto os salários em Portugal cresceram 1,8% no período, Espanha, país vizinho e culturalmente próximo, enfrenta uma queda real de 4,1%.
Este crescimento salarial em Portugal, apesar de ligeiramente abaixo da média da OCDE (2,4%), representa uma recuperação importante face aos níveis pré-pandemia, colocando o país entre as poucas economias onde os trabalhadores viram o seu poder de compra aumentar nos últimos anos. Os portugueses beneficiam de um mercado de trabalho mais robusto, com uma taxa de desemprego de 6,3%, significativamente inferior aos 11,3% da Espanha, como revela o ‘elEconomista’.
Os especialistas apontam que este aumento está fortemente ligado à produtividade laboral, que em Portugal cresceu 2,22% ao ano entre 2019 e 2023, enquanto em Espanha o crescimento foi apenas de 0,37%. Este aumento da produtividade permite que as empresas paguem salários mais altos sem pressionar os preços, beneficiando diretamente os trabalhadores.
Além disso, o aumento do salário mínimo real em Portugal foi mais expressivo, reforçando o impacto positivo nos rendimentos dos trabalhadores. A menor incidência do emprego a tempo parcial e uma maior pressão para atrair talento no mercado laboral português também contribuem para a subida dos salários.
Este cenário coloca Portugal numa posição de destaque na Península Ibérica, onde o crescimento dos salários reais indica uma melhoria concreta nas condições de vida dos trabalhadores, contrastando com a situação em Espanha, onde a expansão do emprego não tem sido suficiente para compensar a perda de poder de compra.














