A Coldiretti, principal organização europeia de empresários agrícolas, promoveu manifestações simultâneas em Bruxelas e Roma para contestar eventuais cortes no setor agrícola no próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) da União Europeia, que será apresentado amanhã pela Comissão Europeia.
Sob o lema “Von der Leyen, não desligue a Europa”, centenas de jovens agricultores italianos concentraram-se em frente à sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, exibindo faixas com frases como “Bem-vindos a Vonderland. Isto não é a Europa”. A manifestação contou com a presença do presidente da Coldiretti, Ettore Prandini, e de membros do conselho da organização.
Em Roma, ecoaram palavras de ordem como “Sem agricultura, não há democracia nem soberania alimentar”. A Coldiretti acusa a Comissão Europeia de promover uma “deriva tecnocrática” que ignora o Parlamento Europeu e “sacrifica o setor agrícola para financiar políticas contrárias ao mandato democrático”.
Entre as preocupações da organização está o impacto que eventuais novas fontes de receita para a UE — como o aumento dos impostos especiais sobre o consumo de tabaco — poderão ter em fileiras agrícolas estratégicas.
A Comissão Europeia está a considerar incluir uma nova taxa sobre o tabaco, tornando-a uma “fonte própria” de financiamento do próximo Quadro Financeiro Plurianual (2028–2034). Partes da proposta mencionam uma subida de até 139% no imposto sobre cigarros, abrangendo também cigarros eletrónicos e tabaco aquecido.
Itália é líder na produção de tabaco na União Europeia e esta cultura representa uma importante fonte de rendimento para muitas explorações familiares.
Em finais de 2024, a organização destacou como “importante” o acordo de dez anos celebrado entre a Philip Morris Itália e o Ministério da Agricultura, que assegura estabilidade a cerca de mil explorações agrícolas italianas envolvidas na cultura do tabaco.







