Os intermediários de crédito são hoje responsáveis por 57% do crédito à habitação e por cerca de metade do crédito especializado em Portugal, segundo dados do Banco de Portugal citados por Pedro Brinca, economista e professor da Nova SBE, durante a 2.ª Conferência da Simplefy, realizada a 7 de julho. Numa década, a profissão passou de marginal a protagonista no setor financeiro português.
A conferência reuniu especialistas para refletir sobre o papel destes profissionais num contexto de baixa literacia financeira e de crescente complexidade nos produtos bancários. “
A importância crescente destes profissionais é acentuada por um contexto desafiante para os consumidores. Portugal é, segundo o Banco Central Europeu, o segundo país da UE com maior aumento da margem financeira, fenómeno que, de acordo com Brinca, está negativamente correlacionado com os níveis de literacia financeira.
Com base em estudos internacionais, o economista revelou que a falta de comparação de propostas financeiras pode custar centenas de euros aos consumidores. “Em média, cada consumidor paga mais 340 dólares por cada 100 mil euros de empréstimo por ano do que a melhor proposta disponível no mercado”, exemplificou Pedro Brinca.
Em Portugal, a realidade é semelhante. “Temos pouca cultura de procurar crédito, de comparar propostas e capacidade de conhecimento para as interpretar”, alertou.
Esta consolidação dos intermediários surge em paralelo com a reconfiguração estrutural do setor bancário, marcada pela redução do número de agências e pela aposta dos bancos nos intermediários como parceiros estratégicos. Ricardo Chaves, vice-presidente da Data Science Portuguese Association e diretor-executivo do BPI, sublinhou que o papel do intermediário já não se resume a encontrar o crédito mais barato.














