Covid-19. Triplicar testes pode evitar mais de 900 hospitalizações

O grupo de trabalho ‘COVIDcids’ concluiu que o aumento da capacidade de testes é uma “estratégia custo-efetiva, capaz de gerar poupanças diretas na ordem dos milhões de euros em hospitalizações”.

Sónia Bexiga

Aumentar a capacidade de testes para a Covid-19 pode prevenir novos casos de infeção, evitar mais hospitalizações, melhorar a gestão de recursos e poupar milhões de euros ao Serviço Nacional de Saúde, de acordo os investigadores da Faculdade de Medicina do Porto (FMUP) e do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde.

“Elevar a atual taxa de 1000 testes para uma taxa de 3000 testes por milhão de habitantes permitirá poupar mais de quatro milhões de euros, só em hospitalizações evitáveis (correspondendo a mais de 900 hospitalizações nos próximos 10 dias), o que se traduzirá em menor pressão para o Serviço Nacional de Saúde, mais vidas salvas e menos oportunidades de contágio”, aponta o estudo divulgado esta terça-feira.

Com o objetivo de “criar novos conhecimentos que apoiem a tomada de decisão em saúde”, o grupo de trabalho ‘COVIDcids’ concluiu que o aumento da capacidade de testes para a Covid-19 é uma “estratégia custo-efetiva, capaz de gerar poupanças diretas na ordem dos milhões de euros em hospitalizações”, explica, em comunicado, João Fonseca, diretor do Departamento de Medicina da Comunidade, Informação e Decisão em Saúde da FMUP.

Este estudo de avaliação económica visa demonstrar que “a deteção precoce de casos em consequência de testes em larga escala, pode prevenir novas infeções” e mais hospitalizações. Para estes investigadores os “benefícios reais subjacentes à massificação de testes por Covid-19 poderão ser ainda maiores do que os estimados, uma vez que, neste estudo, não foram tidas em conta questões ligadas à produtividade e aos custos de oportunidade”.

“O facto de ter mais hospitalizações em doentes com infeção Covid-19 leva a que exista competição por recursos de saúde, que, nesta altura, são escassos, deixando de estar disponíveis para doentes com outras patologias. Acrescem previsíveis decréscimos nos custos dos testes com a entrada de novos concorrentes no mercado e com a ação dos reguladores”, esclarece ainda Francisco Rocha Gonçalves, especialista em Economia da Saúde da FMUP.

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Este grupo de trabalho espera assim que estes resultados possam ser “mais um estímulo a um alargamento da quantidade de testes realizados”, em linha com as recomendações da OMS, com “as intenções manifestadas nos últimos dias pelo governo, e com os exemplos de sucesso de países como a Coreia do Sul ou a Noruega”.

É urgente e necessário “um esforço imenso e imediato no sentido de alargar a capacidade de realização de testes” em todo o país e recorrer a todo o sistema de saúde, alertam os investigadores.

 

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