O furto interno está a tornar-se uma das ameaças mais silenciosas e dispendiosas para o setor da distribuição alimentar. De acordo com o El Economista, as perdas provocadas por furtos e roubos no comércio retalhista atingiram os 2,817 mil milhões de euros em 2025, representando um aumento de 52% face ao ano anterior.
Este fenómeno, além de causar prejuízos diretos, compromete a confiança dentro das empresas, aumenta os custos operacionais e agrava a pressão sobre um setor já afetado pela subida de preços e pela redução das margens de lucro.
Entre os produtos mais frequentemente desviados por funcionários destacam-se bebidas alcoólicas e alimentos de maior valor. Segundo o El Economista, o uísque, o lombo de porco curado e o vinho tinto envelhecido lideram a lista, mas há também registo de furtos de bolachas, peito de frango e outros produtos alimentares.
Estes comportamentos resultam, na maioria dos casos, em despedimento disciplinar, sendo as decisões frequentemente confirmadas pelos tribunais espanhóis.
Os exemplos multiplicam-se e demonstram a diversidade das situações. Um dos casos mais marcantes ocorreu em Tenerife, onde uma funcionária terá furtado 22 garrafas de uísque de gama alta ao longo de vários meses, além de vinho, espumantes, licores e diversos produtos alimentares.
Noutro caso, uma operadora de caixa permitiu que um conhecido levasse produtos sem pagar, incluindo carnes, enchidos e snacks. A justiça considerou que este tipo de prática constitui furto ou apropriação indevida, mesmo quando não há benefício direto imediato.
Também foram registadas situações de manipulação de preços. Em Valladolid, uma funcionária reduziu artificialmente o preço de lombos de porco ibérico, adquirindo-os muito abaixo do valor real. O esquema resultou no despedimento, posteriormente validado em tribunal.
Embora não exista uma separação clara entre furtos externos e internos, os dados indicam que alimentos e bebidas continuam a ser as categorias mais afetadas, com especial destaque para o azeite. Têxteis e produtos de bricolage também surgem entre os mais visados.
Este tipo de prática tem consequências que vão além da perda financeira imediata. Afeta a relação com fornecedores, fragiliza o ambiente de trabalho e pode refletir-se no preço final pago pelos consumidores.
O combate ao furto interno não passa apenas por reforçar medidas de segurança. Implica compreender as causas que estão na origem destes comportamentos, como falhas nos sistemas de controlo ou desmotivação dos trabalhadores.
Num setor onde as margens são reduzidas e a confiança é essencial, prevenir estas situações é fundamental para garantir a sustentabilidade das empresas e proteger toda a cadeia de valor.
Quando a confiança é quebrada dentro de um supermercado, o impacto faz-se sentir muito além da loja, chegando inevitavelmente ao consumidor final.






