Mariana Leitão é única candidata: Iniciativa Liberal elege hoje nova liderança e aprova 30 candidaturas autárquicas

Sem adversários internos, a liderança do partido passará oficialmente para Mariana Leitão, atual presidente da bancada parlamentar, que sucede a Rui Rocha com o objetivo de recentrar o projeto político liberal num momento marcado por divisões internas e desafios eleitorais iminentes.

Pedro Gonçalves
Julho 19, 2025
8:00

A Iniciativa Liberal (IL) elege este sábado a sua nova presidente na X Convenção Nacional, em Alcobaça. Sem adversários internos, a liderança do partido passará oficialmente para Mariana Leitão, atual presidente da bancada parlamentar, que sucede a Rui Rocha com o objetivo de recentrar o projeto político liberal num momento marcado por divisões internas e desafios eleitorais iminentes.

A escolha do novo rumo da IL ocorre após a demissão de Rui Rocha, que abandonou a liderança na sequência de um resultado abaixo das expectativas nas legislativas de 18 de maio. Apesar de o partido ter aumentado ligeiramente a sua representação parlamentar — passando de oito para nove deputados e subindo de 4,94% para 5,36% dos votos — Rocha considerou o desempenho insuficiente. Mariana Leitão foi, até ao momento, a única candidata à sucessão, o que a levou a abdicar de uma eventual candidatura à Presidência da República.

A convenção magna de Alcobaça marca também o encerramento de semanas de debate interno, que culminaram na decisão do Conselho Nacional da IL, reunido em Almada a 15 de junho, de antecipar o ato eleitoral interno para antes das eleições autárquicas de 12 de outubro. A proposta foi aprovada com 50 votos favoráveis e 11 abstenções.

A nova liderança de Mariana Leitão apresenta-se com uma moção de estratégia global sob o lema “A liberdade que nos une”, onde se destaca o regresso à “génese liberal” da IL. O documento promete uma postura política mais assertiva, crítica dos “extremismos” e com uma visão reformista em matérias como fiscalidade e legislação laboral. Leitão quer uma IL “irreverente”, que “não tenha medo de incomodar” e que assuma o combate ao crescimento do radicalismo político: “Queremos marcar a agenda com propostas construtivas e diferenciadoras”, defendeu recentemente a líder liberal.

Apesar da tentativa de se distanciar da moderação atribuída à liderança anterior, Mariana Leitão não escapará às críticas de quem a vê como herdeira do legado de Rui Rocha. “A Mariana quer livrar-se da herança de Rocha, mas esquece-se que integrou a sua direção, é líder parlamentar e contribuiu para várias decisões”, comentou um conselheiro nacional ao Expresso, sublinhando que essa será uma das suas principais dificuldades.

Para contrariar essa perceção e apelar à unidade, a nova Comissão Executiva integra figuras próximas de outras correntes internas, como João Cascão — antigo apoiante de Carla Castro — e Eunice Baeta — ligada ao movimento Unidos pelo Liberalismo, de Rui Malheiro. A intenção é dar voz à diversidade interna da IL e ultrapassar a fase de “guerras internas” que marcaram anteriores mandatos.

No entanto, nem todos os temas gerarão consenso na convenção. Estão agendadas votações de moções críticas do posicionamento da IL no Parlamento, nomeadamente no que respeita ao apoio a propostas governamentais sobre imigração e nacionalidade. Uma das moções, subscrita por Sandra Lobo Pimentel e José Maria Barcia, critica a abstenção liberal na condenação do ataque ao ator Adérito Lopes, defendendo que “a defesa daquilo em que acreditamos não pode ficar entregue a quem quer substituir o totalitarismo por outras fórmulas com consequências idênticas”.

O reforço do papel da IL no poder local é outra prioridade delineada. Foram já aprovadas 30 candidaturas autárquicas, 17 em listas próprias e 13 em coligações com PSD e CDS em municípios como Porto, Loulé, Silves, Mirandela e Almeirim. Em Vizela, Montijo e Covilhã, a IL alia-se apenas a um dos parceiros tradicionais. Mariana Leitão evita, no entanto, avançar com metas eleitorais concretas: “O objetivo é crescer e eleger vereadores, mas o mais importante é consolidar o nosso posicionamento como partido autárquico.”

A moção de Hugo Condesa, também em debate este sábado, insiste que o crescimento da IL deve ser mais sustentado, especialmente fora dos centros urbanos. “O nosso eleitorado potencial é bem maior, seguramente nos dois dígitos”, lê-se no texto. Outros militantes defendem ainda que o partido deve ser mais vocal na defesa do feminismo e das minorias, para disputar terreno político à esquerda.

Com a eleição praticamente garantida, Mariana Leitão terá ainda de decidir a liderança da bancada parlamentar e encontrar um novo rosto para representar a IL nas presidenciais. Aos 42 anos, a nova presidente promete devolver à IL a identidade combativa que marcou a fundação do partido: “A IL deve ser uma força que une, que combate e que propõe. Estou aqui para construir isso com todos.”

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