Há 13 anos estudo alertou para «bomba pronta a rebentar na China»

Esta foi a principal conclusão de um estudo científico datado de 2017 sobre o vírus que deu origem à síndroma respiratória aguda grave.

Executive Digest

«A possibilidade do ressurgimento do SARS e de outros novos vírus de origem animal ou provenientes de laboratórios e a consequente necessidade de nos prepararmos para isso não devem ser ignorados», explicavam os quatro autores de um estudo científico datado de 2007 sobre o vírus que deu origem à «síndrome respiratória aguda grave» (SARS-COV) publicado na “Clinica Microbiology”, agora citado pela revista “Sábado”.

No estudo em questão, apontavam que havia já uma forte possibilidade de um vírus animal vir a atacar de novo a espécie humana em «condições de mutação, amplificação e transmissão» e que os seus efeitos podiam ser como os de «uma bomba». «A presença de uma grande reserva de vírus semelhantes ao SARS-CoV em certas espécies de morcegos, como os morcegos de ferradura», aliada ao hábito cultural das classes altas chinesas em comer «mamíferos exóticos» constituíam «uma bomba pronta a detonar» até que surgisse um novo vírus, referiram os cientistas.



O mesmo estudo refere que «o rápido crescimento económico no sul da China levou a um aumento da procura de proteína animal exótica e que o paciente zero tinha contacto comum com animais selvagens num mercado chinês».

Estes animais começaram a ser comercializados na China depois da Grande Revolução Cultural de Mao, depois de terem morrido cerca de 15 milhões à fome no período entre 1959 e 1961. Em 1979, o Governo chinês temia não conseguir voltar a alimentar os seus milhões de habitantes, então abriu a actividade agrícola a grandes grupos de privados que começaram a produzir galinha, porco e vaca. Mas os pequenos agricultores decidiram começar a criar animais selvagens, como cobras e tartarugas. Na altura, quem consumia estes animais era a fatia mais pobre da população.

Apercebendo-se deste negócio, o Governo chinês apoiou esta iniciativa e começaram a surgir quintas de animais selvagens, que eram vendidos em mercados. E foi num mercado que uma civeta (um felino asiático) terá transmitido o SARS a um ser humano. Depois disto, o executivo chinês proibiu a venda de alguns animais vivos.

O SARS foi a primeira pandemia de coronavírus. Os primeiros casos foram detectados na China em 2002. Na altura, a doença teve uma taxa de letalidade de cerca de 10% e matou cerca de 800 pessoas, infectando mais de oito mil em 30 países. Com o novo coronavírus, o Covid-19 – também ele com epicentro na China – já morreram mais de 14 mil.

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