A Rússia está a fornecer à Coreia do Norte tecnologias avançadas nas áreas de mísseis, espaço e, potencialmente, armamento nuclear, em troca do apoio militar prestado por Pyongyang na guerra contra a Ucrânia. A revelação foi feita por Oleh Ivashchenko, chefe do Serviço de Informações Externas da Ucrânia, em entrevista concedida à agência estatal Ukrinform.
Segundo Ivashchenko, Moscovo está a reforçar significativamente a capacidade tecnológica de Pyongyang. “Estão a fornecer-lhes tecnologias de mísseis e espaciais. Não excluímos a possibilidade de que estas incluam também tecnologias relacionadas com armas nucleares ou com a melhoria destas capacidades”, afirmou o responsável dos serviços secretos ucranianos.
Estas declarações surgem numa altura em que se intensificam as denúncias sobre o apoio militar da Coreia do Norte à Rússia. De acordo com relatórios anteriores, Pyongyang tem fornecido a Moscovo munições, sistemas de artilharia pesada — como os canhões M1989 Koksan de 170 mm —, sistemas de lançamento múltiplo de foguetes M1991 de 240 mm, e até militares norte-coreanos que estariam a combater ao lado das forças russas na frente de guerra.
Esta cooperação militar entre os dois países está a gerar forte preocupação em Kiev e na comunidade internacional. Como resposta, foi submetido um projeto de resolução ao parlamento ucraniano, a Verkhovna Rada, que apela ao reconhecimento da Coreia do Norte como um “Estado agressor” por parte das instituições internacionais e dos parlamentos nacionais.
A iniciativa legislativa surge num momento em que a Ucrânia procura reforçar a condenação internacional contra os países que, de forma direta ou indireta, contribuem para a continuação da ofensiva militar russa. O fornecimento de tecnologias sensíveis, nomeadamente com possível aplicação nuclear, representa, segundo os serviços secretos ucranianos, uma escalada perigosa nas alianças militares entre regimes autoritários.
A Rússia e a Coreia do Norte têm vindo a aprofundar a sua cooperação estratégica desde o início da invasão da Ucrânia em 2022, com múltiplos encontros entre altos responsáveis dos dois países, incluindo visitas do ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, a Pyongyang, e uma reunião entre Vladimir Putin e Kim Jong-un em setembro de 2023, no Extremo Oriente russo.
Até ao momento, nem Moscovo nem Pyongyang comentaram oficialmente as declarações de Ivashchenko, mas analistas ocidentais têm vindo a alertar para os riscos de uma nova aliança militar com implicações globais, sobretudo se envolver transferência de tecnologia nuclear.





