Coronavírus mina confiança nos governos e na comunicação social

Este relatório nasce de um estudo levado a cabo em 10 países, entre 6 e 10 de março no Brasil, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, África do Sul, Coreia do Sul, Reino Unido e EUA.

Sónia Bexiga

As últimas semanas refletiram as consequências dos baixos níveis de confiança nos governos e nos meios de comunicação social, segundo apurou o estudo Edelman, disponibilizado em Portugal pela EDC, esta quinta-feira.

Este estudo, que incidiu sobre as consequências da pandemia do coronavírus nos níveis de confiança e na relação entre as empresas e os seus colaboradores, vem salientar que, diante da forma como grandes grupos de pessoas ignoraram as recomendações essenciais das autoridades de saúde, traduziam o  seu questionar da veracidade da informação disponibilizada ou confiando em dados que nada mais são que desinformação.



Ao mesmo tempo, “muitas empresas preencheram este vazio assumindo posturas responsáveis e disponibilizando informações de fontes credíveis, como organizações de cientistas, autoridades de saúde pública e outras, e reconhecendo que os seus colaboradores exigem atualizações frequentes e mudanças rápidas nas políticas de segurança e de proteção no local de trabalho”, ressalva o estudo.

Diante deste estado de falta de confiança, Richard Edelman, CEO da Edelman, considera que as empresas terão de preencher um vazio cada vez maior – o da escassez de informação credível. “Torna-se urgente que tomemos decisões rápidas e que permitamos que os nossos colaboradores se sintam parte integrante de um movimento social mais abrangente que está a combater esta crise”.

Em seu entender, os CCOs devem iniciar briefings regulares com os colaboradores e com autoridades de saúde para fornecerem conteúdo fiável que pode ser partilhado com as famílias e com a comunidade. “Pede-se que promovam iniciativas de teletrabalho para assegurarem que as empresas e os colaboradores contribuem para o conhecimento e não para o pânico”, conclui.

De entre as principais conclusões deste estudo, evidencia-se as seguintes questões:

Fonte mais credível?

Comunicação entre colaboradores — as conclusões do Edelman Trust Barometer 2020 deixaram óbvias as fragilidades de governos e meios de comunicação social no que respeita a confiança das pessoas. No estudo da Edelman, a comunicação entre colaboradores é a fonte mais credível de informação sobre o Coronavírus. 63% das pessoas referem que acreditam nesta informação, versus 58% em sites governamentais e 51% nos media tradicionais. Um terço das pessoas assume que nunca acreditaria nos dados dos meios de comunicação tradicionais caso estes fossem a única fonte de informação.

Profissionais mais credíveis?

Cientistas e médicos – os cientistas e a classe médica são os profissionais que merecem mais confiança, com valores que variam entre os 68 e os 83 por cento. Os membros do governo e os jornalistas estão no fundo do ranking, com menos de 50%. O CEO da empresa empregadora dos inquiridos recolhe 54% no índice de confiança, e 85% indicam querer “ouvir mais informações dos cientistas e menos dos políticos”. Quase 60% dos inquiridos temem que a crise esteja a ser exagerada por motivos políticos.

A minha empresa está mais bem preparada que o meu país?

Em oito dos 10 países, a “minha empresa” merece mais confiança que o país do inquirido. Estes dados são confirmados pelos elevados índices de confiança na “minha empresa” e na sua capacidade de responder com eficácia e responsabilidade às imposições do coronavírus (62%).

Governos e empresas: a mesma equipa?

Nem as empresas nem os governos merecem a confiança como únicas forças de combate ao vírus. Existe quase o dobro de confiança num esforço conjunto que na capacidade de os governos entrarem nesta guerra sozinhos (45% versus 20%).

Grandes expectativas nas empresas?

78% dos inquiridos esperam que as empresas protejam os seus colaboradores e a comunicada. 77% dizem ter expectativas que as empresas adaptem as suas operações, promovendo o teletrabalho, cancelando eventos não essenciais e as viagens de negócio. Os inquiridos esperam que as empresas (73%) adaptem as suas políticas de RH, garantam baixas pagas ou impeçam que colaboradores em risco possam trabalhar nas instalações da empresa, entre outras medidas.

 

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