Covid-19: Foi assim que a cidade onde morreu o primeiro italiano conseguiu conter o vírus

A pequena cidade de Vò, no norte de Itália, onde ocorreu a primeira morte de infecção por coronavírus no país, tornou-se um caso de estudo desde que uma equipa de cientistas garantiu que conseguir conter a propagação do Covid-19.

Ana Rita Rebelo

A pequena localidade de Vò, no norte de Itália, uma das mais afectadas pelo novo coronavírus em todo o mundo, tornou-se um caso de estudo pela forma como está a conseguir conter o avanço da pandemia da Covid-19.

Vò foi uma das primeiras 11 cidades italianas em que a quarentena local foi decretada. A 21 de Fevereiro, as autoridades italianas confirmavam uma morte no país: um homem de 78 anos daquela localidade. Para conter o avanço da doença, as autoridades locais decidiram realizar testes em todos os habitantes (3.300), mesmo em assintomáticos, e isolar pessoas infectadas, revela o “The Guardian”.



Quando o estudo começou, a 6 de Março, havia, pelo menos, 90 infectados em Vò. Durante dias, não houve novos casos. Os testes permitiram identificar, segundo os cientistas, pelo menos seis pessoas assintomáticas que deram positivo para Covid-19.

A percentagem de pessoas infectadas, mesmo assintomáticas na população é muito alta», defende Sergio Romagnani, professor de imunologia clínica da Universidade de Florença, numa carta enviada às autoridades. «O isolamento dos assintomáticos é essencial para poder controlar a propagação do vírus e a gravidade da doença», reforça ainda.

O governador da região de Veneto, Luca Zaia, tem o mesmo entendimento. «Um teste não faz mal a ninguém», disse, adianta que está «a tomar medidas para testar cada um dos habitantes da região». Zaia descreveu Vò como «o lugar mais saudável da Itália». «Isto é a prova de que o sistema de testes funciona», reafirmou.

«Aqui encontravam-se os dois primeiros casos. Testámos todos, mesmo aqueles que os especialistas nos disseram que era um erro: três mil análises. Encontrámos 66 positivos, que isolámos durante 14 dias, e depois disso, seis deles ainda davam positivo. E foi assim que acabámos com isto», resumem os cientistas.

Porém, na terça-feira, o representante da Organização Mundial de Saúde, Ranieri Guerra, disse: «O director-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus pediu que a identificação e o diagnóstico de casos suspeitos e contactos sintomáticos de casos confirmados sejam reforçados, na medida do possível. Neste momento, não foi sugerida a recomendação de realizar uma triagem em massa».

Massimo Galli, professor de doenças infecciosas da Universidade de Milão e director de doenças infecciosas do hospital Luigi Sacco de Milão, adverte que a realização de testes em massa em cidadãos assintomáticos pode, no entanto, revelar-se inútil. «Os contágios estão infelizmente em constante evolução», disse Galli ao “The Guardian”, acrescentando que «quem dá negativo hoje pode contrair a doença amanhã».

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