A coligação Aliança Democrática (AD) e a Iniciativa Liberal (IL) reforçam as suas posições na corrida às legislativas de 18 de maio, atingindo em conjunto 43,3% das intenções de voto, segundo a sondagem diária da Pitagórica para o Jornal de Notícias, TSF e TVI/CNN Portugal. Este é o melhor resultado conjunto desde o início da tracking poll, iniciada a 2 de maio, mas o aumento acentuado do número de indecisos — que já representam 19,8% do eleitorado — levanta dúvidas quanto à viabilidade de uma maioria absoluta.
Luís Montenegro (AD) e Rui Rocha (IL) registam ganhos relevantes nesta quarta vaga da sondagem. A coligação de centro-direita sobe para 35,8%, mais dois pontos percentuais face ao início da sondagem, enquanto os liberais sobem de 6,6% para 7,5% em apenas 24 horas — o maior salto diário registado entre todos os partidos. Ainda assim, a distribuição proporcional dos indecisos — que beneficia os partidos com maior base de apoio — é a principal responsável pelos ganhos aparentes, sendo que, sem essa redistribuição, todos os partidos, exceto a IL, veriam as suas intenções de voto diretas a descer.
Apesar da subida da direita, os valores atuais ainda não garantem os 116 deputados necessários para uma maioria absoluta. Comparações históricas ajudam a contextualizar: António Costa obteve 41,4% dos votos para conquistar 120 deputados em 2022, enquanto Passos Coelho e Paulo Portas precisaram de 50,4% para alcançar 132 mandatos em 2011. Em contraste, a atual soma da AD e IL está aquém destes patamares e os votos desperdiçados — mais prováveis em coligações — podem dificultar o alcance da maioria.
No campo oposto, o PS mantém os seus 27,1%, a 8,7 pontos percentuais da AD, enquanto o Chega de André Ventura regista uma ligeira recuperação para 16,5%, ainda distante dos 18,07% obtidos nas legislativas de 2022. À esquerda, o panorama permanece estagnado ou em queda: o Livre recua para 3,4%, o BE para 1,8% e o PAN fixa-se em apenas 0,6%, ameaçando a presença de Inês Sousa Real no Parlamento. A CDU regista uma ligeira subida para 3,2%.
A sondagem revela ainda dinâmicas interessantes entre faixas etárias e regiões. Os jovens (18-34 anos) são os mais indecisos — 26% ainda não decidiram o seu voto — e a região de Lisboa lidera na incerteza, com 21% de indecisos. A AD lidera em todas as classes sociais, exceto na média-baixa e baixa, onde empata com o PS. Já o Chega e a IL registam maior apoio entre os mais jovens e nas classes mais baixas e altas, respetivamente. Por regiões, a AD perde terreno no Norte, onde desce para 31%, enquanto o PS sobe ligeiramente para 21%. Em Lisboa, PS e AD surgem empatados com 24%, e no Centro, a AD distancia-se com 28% face aos 21% do PS.
A perceção pública sobre quem vencerá as eleições também favorece a coligação de direita: 73% dos inquiridos acreditam que a AD será a vencedora, contra apenas 12% que apostam no PS. Apenas 2% consideram que o Chega sairá vitorioso. A exposição mediática tem sido liderada por Luís Montenegro (74%), seguido de Pedro Nuno Santos (68%) e André Ventura (51%). Contudo, essa visibilidade nem sempre se traduz em ganhos de imagem. Montenegro passou de uma avaliação neutra para um saldo negativo de três pontos; Ventura continua com 21 pontos negativos, embora tenha recuperado ligeiramente; e Pedro Nuno mantém-se estável com 12 pontos negativos.
Os únicos líderes partidários com saldo positivo na exposição mediática são Rui Rocha, com 12 pontos positivos, e Rui Tavares, com 10. Mariana Mortágua (-14), Inês Sousa Real (-11) e Paulo Raimundo (-7) mantêm avaliações negativas, embora com menor visibilidade pública. Entretanto, a maioria dos inquiridos (66%) manifesta vontade de mudar algumas políticas e manter outras, 22% defendem uma mudança total e apenas 10% desejam continuidade.
Com o número de indecisos a crescer e a distribuição geográfica e etária dos votos a afetar diretamente a conversão de percentagens em mandatos parlamentares, a meta da maioria absoluta continua incerta. A campanha segue com elevado grau de imprevisibilidade e com uma margem ainda significativa de eleitores por conquistar.














