“Ressurgimento” da Europa impulsiona mercados financeiros face à incerteza nos EUA

O ano de 2025 arrancou com uma mudança significativa nos mercados financeiros, assinalando uma inversão de tendência que favorece as ações europeias.

André Manuel Mendes
Março 31, 2025
10:54

O ano de 2025 arrancou com uma mudança significativa nos mercados financeiros, assinalando uma inversão de tendência que favorece as ações europeias.

De acordo com a Allianz Global Investors (AllianzGI), a política orçamental europeia tem vindo a ajustar-se para impulsionar o crescimento estrutural, um fator determinante para a recuperação da região.

A transição política nos EUA, com o regresso de Donald Trump à presidência, trouxe desafios inesperados para os mercados norte-americanos, que registaram uma queda, enquanto as ações europeias registaram um crescimento assinalável. A incerteza em torno das novas políticas governamentais, combinada com tarifas comerciais e um possível abrandamento do crescimento global, poderá comprometer o estatuto dos EUA como porto seguro para investidores. Neste cenário, a AllianzGI defende que a gestão ativa se revela uma estratégia essencial.

A AllianzGI mantém uma perspetiva positiva em relação ao mercado acionista, mas com cautela, devido à volatilidade gerada pela política norte-americana.

Virginie Maisonneuve, Diretora de Investimento Global (CIO) em Ações, assegura: “Acreditamos que a recuperação das ações europeias ainda tem espaço para progredir. Contudo, dada a volatilidade, consideramos essencial a diversificação global das carteiras. Reafirmar a “soberania europeia” e aumentar a despesa pública poderá beneficiar setores-chave, como a cibersegurança, a inteligência artificial e a defesa. Atualmente, os investidores europeus mantêm uma posição subponderada no setor da construção. No entanto, o rápido crescimento dos centros de dados a nível mundial é uma tendência estrutural positiva para o setor e poderá ser impulsionada por uma eventual reconstrução na Ucrânia após o cessar-fogo”.

Nos mercados emergentes, a Índia surge como uma alternativa atrativa, com um mercado de capitais diversificado e avaliações competitivas. Já a China continua a apostar na inovação tecnológica, com um foco particular na inteligência artificial e na robótica, podendo beneficiar de incentivos ao consumo interno num contexto de enfraquecimento do comércio externo.

Mercado obrigacionista e estratégias de alocação

Num contexto de volatilidade nas taxas de juro, a AllianzGI defende uma abordagem seletiva baseada numa análise rigorosa.

Segundo Michael Krautzberger, Diretor de Investimento Global (CIO) em Obrigações, a Europa deverá assistir a uma inclinação da curva de rendimentos impulsionada pelos investimentos em defesa na Alemanha e noutros países. Nos EUA, a incerteza económica também poderá resultar num movimento semelhante.

As perspetivas para as obrigações do Reino Unido (gilts) são positivas, dado o seu valor atrativo e as expetativas do mercado quanto à política monetária do Banco de Inglaterra. Por outro lado, o iene japonês poderá destacar-se como uma opção atrativa, uma vez que o Banco do Japão está sob pressão para normalizar as taxas de juro, o que pode impactar a curva de rendimentos do país.

A AllianzGI considera que a dívida emergente continua a demonstrar resiliência perante a volatilidade dos mercados, reforçando a importância de uma análise seletiva e estratégica.

Perspetivas para 2025: gestão flexível e diversificação

Para Greg Hirt, Diretor de Investimento Global (CIO) em Multiativos, a estratégia para 2025 passa por uma gestão flexível de ativos, favorecendo as ações europeias e a dívida pública da região em detrimento das obrigações do Tesouro dos EUA.

Greg Hirt, Diretor de Investimento Global (CIO) em Multiativos, assevera: “Mantemo-nos construtivos em relação às ações, embora as tarifas e a incerteza económica nos EUA pesem sobre o sentimento do mercado. Reduzimos a nossa exposição aos EUA e favorecemos as ações europeias, impulsionadas pela dinâmica, pelas avaliações atrativas e pelo aumento da despesa fiscal. Estes fatores levam-nos também a favorecer a dívida pública europeia em detrimento das obrigações do Tesouro dos EUA”.

A AllianzGI acredita que a política monetária do Banco do Japão, que se aproxima do fim do ciclo de subidas das taxas, poderá fortalecer o iene e restaurar o seu estatuto de moeda segura. Paralelamente, o ouro mantém-se como um ativo essencial para diversificação em carteiras multiativos, dada a incerteza económica global.

Com as tensões geopolíticas a acentuarem as diferenças entre crescimento, taxas de juro e desempenho das classes de ativos nos diferentes países, a AllianzGI considera que os próximos meses poderão trazer novas reavaliações dos preços, reforçando a necessidade de uma gestão ativa e diversificada dos investimentos.

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