Ex-CEO da Google alerta para riscos da inteligência artificial criar “um cenário do tipo Bin Laden”

Em entrevista à BBC, após a cimeira de IA em Paris, o empresário e investidor tecnológico afirmou que a IA poderá ser aproveitada por terroristas ou Estados hostis para desenvolver armas letais.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 13, 2025
12:22

O antigo CEO da Google, Eric Schmidt, alertou para os riscos extremos associados à inteligência artificial (IA), avisando que a tecnologia pode cair nas mãos erradas e ser utilizada para causar danos significativos. Em entrevista à BBC, após a cimeira de IA em Paris, o empresário e investidor tecnológico afirmou que a IA poderá ser aproveitada por terroristas ou Estados hostis para desenvolver armas letais.

“Pensem na Coreia do Norte, no Irão ou até na Rússia, que possam ter algum objetivo maligno. Esta tecnologia avança tão rapidamente que pode ser adotada e usada de forma inadequada para causar danos reais”, afirmou Schmidt, acrescentando que a IA poderia facilitar ataques biológicos devastadores.

Schmidt comparou o risco da IA descontrolada ao ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, perpetrado pela Al-Qaeda nos Estados Unidos. “Preocupa-me sempre o cenário ‘Osama bin Laden’, em que uma pessoa verdadeiramente mal-intencionada se apodera de algum aspeto da nossa vida moderna e o usa para prejudicar pessoas inocentes”, disse.

A crescente sofisticação dos modelos de IA tem sido alvo de debate global, com especialistas a alertarem para a possibilidade de a tecnologia ser utilizada para fins militares, ciberataques ou até na criação de armas biológicas. Para Schmidt, a velocidade com que a IA está a evoluir torna imperativo um acompanhamento atento por parte dos governos.

O ex-líder da Google defendeu uma maior intervenção dos governos na supervisão das empresas privadas que desenvolvem modelos avançados de IA. “É extremamente importante que os governos compreendam o que estamos a fazer e nos mantenham sob vigilância”, afirmou, defendendo um equilíbrio entre inovação e segurança.

No entanto, Schmidt alertou para os perigos da regulamentação excessiva, que, segundo ele, pode travar a inovação e a competitividade das empresas tecnológicas. Criticando a abordagem regulatória da União Europeia, afirmou que o bloco comunitário não será responsável pelas principais inovações no setor. “A revolução da IA, que considero a mais importante desde a eletricidade, não será inventada na Europa”, afirmou, acusando a UE de sobre-regulamentação e de afastar investimentos da indústria.

As declarações de Schmidt surgem num momento em que diversos países e organizações internacionais procuram estabelecer diretrizes para o desenvolvimento seguro da inteligência artificial, tentando equilibrar os benefícios da tecnologia com os seus potenciais riscos.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.