Se as eleições autárquicas ocorressem agora, o atual presidente da câmara de Lisboa, Carlos Moedas, ficaria à frente de Alexandra Leitão na disputa pela autarquia, segundo a mais recente sondagem da Intercampus para o Correio da Manhã. No entanto, este estudo de opinião baseia-se em respostas de eleitores de todo o país, não exclusivamente da capital, o que pode influenciar os resultados. Nas eleições autárquicas, o que realmente conta é o voto em cada concelho.
A nomeação de Alexandra Leitão como candidata socialista é ainda recente, o que pode justificar alguma desvantagem inicial. Contudo, a diferença entre os dois principais candidatos à liderança da autarquia lisboeta mostra-se expressiva a favor do atual presidente da câmara e antigo comissário europeu.
A disputa pela presidência da Câmara de Lisboa promete ser acesa, com temas como habitação, higiene urbana e trânsito a dominarem a agenda. No entanto, são as questões de segurança e imigração que mais dividem os dois candidatos.
Carlos Moedas, que tem assumido uma posição crítica sobre as políticas migratórias, defende um maior controlo na entrada de imigrantes em Portugal. “Não podemos aceitar uma política de portas escancaradas que conduz à desordem, dá espaço a redes criminosas e multiplica casos de escravatura moderna”, afirmou o autarca em outubro passado.
Já Alexandra Leitão adota um discurso oposto e rejeita aquilo que considera ser uma exploração política do tema. A candidata socialista esteve presente na manifestação “Não nos encostem à parede”, convocada após a megaoperação policial no Martim Moniz, e afastou-se das críticas que associam a imigração ao aumento da criminalidade. “Rejeitamos retóricas divisivas e artificiais que servem apenas para o Governo tirar o foco daquilo que é importante, que é resolver os problemas dos portugueses”, declarou.
Após ter sido oficialmente escolhida pelo secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, para a corrida à Câmara de Lisboa, Leitão afirmou: “Lisboa é a minha cidade. Uma cidade vibrante, cheia de talento e potencial, que merece uma liderança com visão, empenho e determinação.”
No Porto, Manuel Pizarro parte à frente na corrida à sucessão de Rui Moreira
Se em Lisboa Carlos Moedas parte em vantagem, no Porto o cenário traçado pela mesma sondagem é diferente. O socialista Manuel Pizarro, atual ministro da Saúde, surge como o favorito para suceder a Rui Moreira, superando aquele que será, em princípio, o seu principal adversário, Pedro Duarte, do PSD.
O estudo indica que Pizarro é visto como mais competente e com maior probabilidade de vencer, embora a diferença para Duarte seja curta. O Porto será, assim, um dos principais palcos de disputa entre PS e PSD nas eleições autárquicas deste ano.
As eleições autárquicas e as legislativas são lógicas distintas, e os eleitores parecem reconhecê-lo. A sondagem da Intercampus revela que mais de 70% dos inquiridos consideram que o Governo de Luís Montenegro deve manter-se em funções, mesmo que o PSD sofra uma derrota significativa nas eleições locais.
No entanto, tratando-se de um Governo minoritário, um mau resultado nas autárquicas poderia ser aproveitado pela oposição para pressionar um cenário de eleições antecipadas. O impacto real dependeria da dimensão da derrota do PSD.
As eleições autárquicas deste ano ainda não têm data marcada, mas terão de ocorrer entre 22 de setembro e 14 de outubro. Os mandatos autárquicos têm uma duração de quatro anos.
No último ato eleitoral, realizado em 2021, o PS conquistou 148 câmaras e elegeu 888 mandatos, consolidando-se como o partido mais representado a nível local. O PSD, por sua vez, venceu em 72 autarquias, somando 437 mandatos, aos quais se acrescentam mais 31 câmaras (239 mandatos) conseguidos em coligação com o CDS.
O PCP manteve 19 câmaras municipais (148 mandatos), o mesmo número de autarquias conquistadas por grupos de cidadãos independentes, que obtiveram 134 mandatos.














