Costa critica países «forretas» com gráfico em que mostra que são dos mais beneficiados pela UE

O primeiro-ministro António Costa foi para o Conselho Europeu especial, que começou ontem, com vários documentos, entre eles um gráfico com dados da Comissão Europeia, que mostra que todos os países da União Europeia (UE) beneficiam economicamente da existência de um mercado único europeu e que esse ganho ultrapassa largamente o valor das suas contribuições para o quadro financeiro plurianual.

Revista de Imprensa

O primeiro-ministro António Costa foi para o Conselho Europeu (CE) especial, que começou ontem, com vários documentos, entre eles um gráfico com dados da Comissão Europeia, que mostra que todos os países da União Europeia (UE) beneficiam economicamente da existência de um mercado único europeu e que esse ganho ultrapassa largamente o valor das suas contribuições para o quadro financeiro plurianual, revela o “Diário de Notícias” (DN).

O gráfico indica ainda que os quatro países ditos «forretas», como Costa lhes chama, são a Áustria, Holanda, Dinamarca e Suécia. Países – querem os maiores cortes na política da coesão (subsídios e apoios para desenvolver territórios menos desenvolvidos e construir infraestruturas) e na política agrícola – que estão entre os que mais beneficiam per capita (por habitante e por ano) em termos líquidos da existência do mercado europeu. Muito mais do que Portugal ou de Espanha.

Costa, que neste Conselho ficou sentado mesmo à direita da poderosa chanceler da Alemanha, Angela Merkel, publicou mais tarde esse gráfico na sua conta do Twitter, tendo sido acompanhado minutos depois nesse manifesto pela comissária europeia para a Coesão, a portuguesa Elisa Ferreira. «É importante partir de uma base sólida para o debate sobre o futuro orçamento da UE», disse Costa e que essa base são os factos que estão no gráfico. «Quem contribui e quem beneficia mais do orçamento e do mercado interno?», questionou o primeiro-ministro, citado pelo “DN”.

Segundo o gráfico, o Luxemburgo é o país que mais beneficia com a UE. Cada habitante beneficia em 12 541 euros/ano da existência do mercado europeu. A Holanda, por sua vez, é o quarto mais abonado pelas vantagens económicas do mercado único, com quase cinco mil euros anuais por habitante. Em quinto e sexto surgem mais a Áustria e a Dinamarca, com um benefício per capita na ordem dos quatro mil anuais. Em sétimo surge a Suécia, com cerca de três mil euros por habitante ao ano.

Portugal está no outro lado do ranking, feito a partir de dados da Comissão. Cada português beneficia, em média, de 1500 euros por ano com a existência do mercado comum.

Recorde-se que os líderes europeus juntaram-se ontem a pedido do presidente do CE, o belga Charles Michel, para tentar desbloquear o impasse, que já dura há quase dois anos, sobre quais devem ser as contribuições dos países para o orçamento plurianual de sete anos. O novo quadro devia entrar em vigor a 1 de Janeiro do próximo ano e ainda nada está decidido. Apesar do grupo dos 17 países «amigos da coesão» (Portugal incluído) ser a maioria dentro da UE a 27, a questão é que o novo quadro financeiro plurianual só pode ser aprovado no Conselho com unanimidade. Segue depois para o Parlamento Europeu (PE). 

«Vão ser negociações duras e longas e, no final, para mim, o mais importante é defender um orçamento moderno, com novas prioridades», declarou Ursula von der Leyen,  presidente da CE, aos jornalistas.

David Sassoli, o presidente da PE, garantiu ainda que «o Parlamento não vai aceitar um qualquer acordo», acrescentando que «há uma maioria muito larga pronta a rejeitar qualquer proposta que não leve em conta as posições do Parlamento». 

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