Mulher baleada pela polícia no Irão por não usar o hijab fica paralisada

De acordo com a Mamlekate, uma organização de jornalistas cidadãos iranianos, Badri entrou em coma após ser atingida por um tiro e foi transferida para um hospital em Teerão.

Pedro Zagacho Gonçalves

Arezoo Badri, uma mulher iraniana, terá ficado paralisada depois de ter sido baleada pela polícia do Irão enquanto conduzia o seu carro, por alegadas violações das severas leis sobre o hijab (véu islâmico) do país. Segundo relatos de grupos de direitos humanos e fontes internas no Irão, o incidente ocorreu no dia 22 de julho na cidade de Noor, no norte do país, mas só agora foi conhecido.

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De acordo com estas fontes, Badri estava a conduzir para casa quando a polícia tentou intercetá-la após o seu veículo ter sido identificado numa lista de apreensão. No ano passado, como parte de uma campanha de repressão contra mulheres que desrespeitam o código de vestuário obrigatório, as autoridades iranianas anunciaram que usariam câmaras de vigilância para identificar condutoras que não cobrissem o cabelo e confiscar os seus veículos.

O grupo Human Rights Activists in Iran, uma ONG sem fins lucrativos, afirmou que Badri poderá ter sido observada ou filmada a conduzir sem cobertura na cabeça nos dias anteriores ao tiroteio, o que levou a uma alerta sobre a sua matrícula.

Quando a polícia tentou parar Badri no dia 22 de julho, alegadamente ela não cumpriu as ordens e a polícia disparou contra o veículo em movimento. Um comandante da polícia em Noor confirmou aos meios de comunicação locais que um condutor foi baleado por não ter obedecido à ordem de parar, mas não identificou Badri.

De acordo com a Mamlekate, uma organização de jornalistas cidadãos iranianos, Badri entrou em coma após ser atingida por um tiro e foi transferida para um hospital em Teerão. Um médico baseado em Teerão, que tratou secretamente sobreviventes de agressões sexuais e pessoas com ferimentos por balas durante os protestos “Mulher, Vida, Liberdade” após a morte de Mahsa Amini em 2022, revelou ao Guardian: “Não tivemos notícias sobre a sua condição porque é um hospital fortemente vigiado e pertencente à polícia. Não consegui obter informações de médicos do hospital.”

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Masih Alinejad, uma jornalista iraniana exilada, afirmou que recebeu detalhes do tiroteio e fotografias de Badri através de fontes próximas à sua família, mas que os parentes imediatos estão sendo pressionados a não discutir publicamente a situação.

“Ao receber as fotografias de um familiar e saber que Arezoo é mãe de dois filhos, não consegui parar de chorar e continuei a pensar no meu próprio filho,” disse Alinejad. “Como é que alguém vai explicar no século XXI a essas crianças que a sua mãe foi baleada pela polícia por não cobrir o cabelo?”

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