O mercado global de vinhos, que experimentou um grande crescimento durante a pandemia de Covid-19, enfrenta agora uma crise significativa. Com a queda nas vendas, a superprodução e a crescente popularidade da sobriedade, o setor está a lidar com uma série de desafios.
Em 2023, a produção global de vinho excedeu a procura em 10%, o que resultou na queda dos preços e no acumular de toneladas de uvas não colhidas. Muitos agricultores em todo o mundo estão a optar por queimar ou arrancar hectares de vinhas, incapazes de vender as suas colheitas.
Stuart Spencer, diretor executivo da Lodi Winegrape Commission no Vale Central da Califórnia, mostrou a sua preocupação com o futuro das vinícolas locais. “Há um excedente global de vinho tão grande que muitas empresas vitivinícolas na Califórnia não sabem se alguém vai comprar as suas uvas nesta temporada de colheita”, afirmou, em declarações à ‘Bloomberg’.
A crise afetou até mesmo grandes produtores, como a Vintage Wine Estates, uma das maiores vinícolas dos EUA. A empresa, que abriu capital em 2021 durante o auge de procura, entrou com pedido de falência em julho deste ano devido à queda nas vendas.
Segundo Rob McMillan, analista do setor de vinhos do Silicon Valley Bank, o problema está na falta de conexão com os consumidores mais jovens, como as gerações millennial e Z, que preferem outras bebidas como cerveja, destilados e águas com gás. “Não fizemos o suficiente para atrair os consumidores mais jovens”, afirmou McMillan. “Há uma crença de que basta esperar que esses consumidores envelheçam para se interessarem pelo vinho, mas a esperança não é uma estratégia.”














