Caldas da Rainha: Marido de grávida que sofreu aborto espontâneo denuncia que atendimento foi negado duas vezes

O drama de Lilia começou há cerca de um mês, quando, ainda grávida de três meses, procurou atendimento no Centro de Saúde da Lourinhã.

Revista de Imprensa

O caso de Lilia, a jovem brasileira, que passou por uma experiência traumática quando, após sofrer um aborto e, alegadamente, ver-lhe negado atendimento no Hospital das Caldas da Rainha, uma vez que as urgências de obstetrícia-ginecologia estavam encerradas, ganha novos contornos. Sabe-se agora que a mulher foi recusada em dois serviços de saúde: o Centro de Saúde da Lourinhã e o Hospital das Caldas da Rainha.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

A situação, marcada por grande angústia e indignação, foi agora relatada pelo marido da grávida, Shesley Sousa, e gerou forte reação por parte dos bombeiros envolvidos no atendimento.

O drama de Lilia começou há cerca de um mês, quando, ainda grávida de três meses, procurou atendimento no Centro de Saúde da Lourinhã. Segundo Shesley Sousa, em entrevista ao Correio da Manhã, Lilia foi informada pelo médico que não poderia ser atendida devido a questões burocráticas relacionadas com a autorização de residência. “Estava feliz, estava grávida de três meses e achava que já ia saber o sexo da criança. E qual não foi o nosso espanto quando o médico lhe disse que não a ia atender. Que não tinha ainda concluído o processo da autorização da residência e que por isso não podia ser vista pelo médico”, relatou Sousa.

Na manhã seguinte, Lilia enfrentou uma situação ainda mais grave quando sofreu um aborto. “Foi um choque para ambos e depois de colocar o feto num saco, corri com ela para o hospital. Fui para as Caldas porque recentemente o bebé de um amigo tinha nascido lá e sabia que tinha Obstetrícia”, explicou o marido. No entanto, a chegada ao Hospital das Caldas da Rainha trouxe uma nova série de desafios.

Ao chegar ao hospital, Lilia estava em estado crítico, a sangrar abundantemente e quase desfalecendo. Shesley Sousa descreveu a situação: “O segurança disse-me logo que não me atendiam. Mandou-me ligar para o 112 e que eles decidissem o que fazer.” O casal foi instruído a esperar no carro, onde foram atendidos pelos bombeiros. Sousa destacou o momento de desespero: “Ela estava a ficar cada vez mais fraca e chegou-me a dizer que ia morrer. Estava agarrada à minha mão e parecia desesperada.”

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Os bombeiros, irritados com a recusa inicial e com a situação de Lilia, insistiram para que a mulher fosse atendida. A intervenção dos bombeiros foi crucial. “Foi finalmente atendida, e a pressão dos bombeiros é que ajudou a conseguir o tratamento”, contou Shesley. O marido expressou a sua gratidão para com os bombeiros, que demonstraram uma indignação visível pela falta de assistência inicial: “Eles estavam revoltados. Foram eles que conseguiram o tratamento.”

Em uma entrevista carregada de emoção, Shesley Sousa detalhou a frustração e a revolta que sentiu face à falta de ajuda prestada a Lilia. “O que mais a revolta foi há um mês ela ter ido ter à primeira consulta do centro de saúde. Não soube o sexo, também não soube se a gravidez estava a correr bem. Nem tão-pouco saberá nunca se era possível na altura salvar a vida da criança.” A recusa de atendimento e a falta de um pedido de desculpas por parte do Hospital das Caldas da Rainha foram pontos críticos levantados por Sousa.

O marido da grávida também sublinhou o impacto emocional profundo: “Ela estava agarrada à minha mão e parecia desesperada.”

Os Bombeiros das Caldas da Rainha desempenharam um papel vital na resolução da crise. Inicialmente, foi sugerido que a mulher fosse transportada para outra unidade de saúde, mas a insistência dos bombeiros e os vários telefonemas garantiram que Lilia recebesse o atendimento necessário no Hospital das Caldas da Rainha. A atitude proativa dos bombeiros foi amplamente elogiada, e a sua reação foi fundamental para assegurar que Lilia recebesse cuidados médicos urgentes.

IGAS abre inquérito ao caso da grávida a quem foi recusada assistência no Hospital das Caldas da Rainha
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um inquérito ao caso da grávida a que terá sido recusada assistência, esta segunda-feira, no Hospital das Caldas da Rainha, quando estava com uma hemorragia e um feto morto num saco, revelou o ‘Jornal de Notícias’: o Ministério da Saúde confirmou que “a IGAS já instaurou um processo de inquérito, distribuído a duas equipas multidisciplinares”, sendo que o Governo “está a acompanhar desde a primeira hora o caso”.

Continue a ler após a publicidade

Recorde-se que, segundo o comandante dos Bombeiros das Caldas da Rainha, Nelson Cruz, a mulher chegou ao hospital por meios próprios e foi inicialmente aconselhada a ligar para o número de emergência 112, apesar de estar já à porta do hospital. “A situação foi classificada como grave, com a mulher apresentando uma hemorragia abundante e o feto em um saco”, relatou Cruz.

Após o contacto com o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), os bombeiros encontraram a mulher dentro do carro e consideraram a situação crítica. Somente 30 minutos depois, e após a pressão dos socorristas, a mulher foi admitida e assistida no hospital.

O comandante Nelson Cruz destacou que a insistência da equipa de ambulância foi crucial para que o hospital permitisse a admissão da paciente. “Felizmente, a nossa equipa de socorro teve a sensibilidade de insistir, e o hospital acabou por permitir que fosse feita a ficha de admissão e a mulher fosse recebida”, afirmou Cruz. O responsável acrescentou que, inicialmente, o hospital tinha recusado atender a mulher.

Primeiro, “o hospital recusou atender essa senhora”, mas acabou por aceder após os bombeiros terem insistido, revelou o comandante, dando conta que a mulher só foi atendida mais de uma hora depois de ter chamado o 112. O feto já estava morto à chegada dos bombeiros.

O Hospital das Caldas da Rainha relatou que a mulher se dirigiu “pelos seus próprios meios” ao hospital e que, ao chegar, “viu o cartaz afixado na porta da urgência de Ginecologia/Obstetrícia a dizer que esta não estava a funcionar”, negando ter sido recusada a assistência. “Temos registo que a utente apenas entrou no hospital às 8h04, tendo sido de imediato admitida. Em momento algum foi recusada a sua admissão, nem temos registo de várias insistências para admissão.”

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.