Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos (OM), destacou a necessidade urgente de modernização do sistema hospitalar em Portugal. Em declarações recentes, Cortes sublinhou que o país não pode continuar a operar hospitais e prestar cuidados de saúde com os mesmos métodos utilizados há 50 ou 60 anos.
Este tema será central nas reuniões que o bastonário tem agendado para esta semana. Na terça-feira, Cortes encontrará António Gandra de Almeida, diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), e na quarta-feira terá um encontro com a ministra da Saúde. O objetivo é discutir as reformas necessárias para melhorar a rede de saúde do país.
Carlos Cortes elogiou a recente declaração de António Gandra de Almeida à Renascença, na qual o diretor-executivo do SNS defendeu a necessidade de repensar a rede de urgências. Cortes considerou esta afirmação “muito lúcida, correta, responsável e corajosa”, destacando a importância de reconhecer as falhas e de se comprometer com reformas essenciais.
“É fundamental que, mais do que promessas, haja uma vontade concreta de reformar a rede das maternidades, um aspeto absolutamente essencial para a melhoria do sistema de saúde”, afirmou Cortes.
O bastonário da OM sublinha que Portugal enfrenta um problema sério no que diz respeito ao funcionamento dos hospitais e aos cuidados de saúde primários. “Portugal não pode continuar a ter hospitais a funcionar da mesma forma que há 50 ou 60 anos. Não pode continuar a ter cuidados de saúde primários como tem”, enfatizou Cortes, apelando à necessidade de uma mudança profunda no sistema de saúde.
Cortes fez um apelo aos partidos políticos representados na Assembleia da República, instando-os a formar um consenso para promover as reformas necessárias no SNS. “É essencial que haja uma união em torno de um plano para realizar as reformas que o SNS precisa para se modernizar e melhorar a sua eficácia”, acrescentou.
O bastonário também comentou sobre a recente abertura do Serviço de Urgência de Ginecologia no Hospital Santa Maria, em Lisboa, destinado a grávidas com até 22 semanas de gestação. Embora tenha recebido a notícia com satisfação, Cortes afirmou que será necessário “esperar para ver” o impacto real desta nova unidade.
No entanto, Cortes realçou que a questão das maternidades não se resume apenas às infraestruturas. “O problema central em relação às maternidades não é apenas de infraestruturas, mas sim de recursos humanos”, sublinhou. “É importante que, para que as novas instalações funcionem corretamente, haja uma adequação no número de profissionais de saúde, especialmente médicos.”














