Um pequeno país no sudoeste de África, a Namíbia, está prestes a passar por uma revolução económica graças às suas recentes descobertas de petróleo. Independente da África do Sul desde 1990, a jovem república está a emergir como uma das grandes promessas do crude, atraindo atenção global e comparações com a Guiana, que atualmente vive um boom de produção offshore.
Durante uma conferência recente na capital, Windhoek, o Comissário dos Petróleos, Maggy Shino, anunciou que o país está a preparar-se para se tornar um centro energético regional. A verdadeira revolução está projetada para ocorrer entre 2025 e 2027, quando se espera uma “produção massiva” que pode triplicar a economia do país, revela o ‘elEconomista’.
As descobertas de petróleo na Namíbia começaram a ganhar atenção em 2022, quando empresas como Shell e Galp identificaram grandes reservas. Com uma taxa de sucesso de 80% nos poços perfurados, muito acima da média global de 30% a 40%, a região agora é vista como uma das mais promissoras para exploração de petróleo no mundo.
Nas décadas de 70 e 80, várias empresas procuraram petróleo na Namíbia sem sucesso, levando a região a ser apelidada de “cemitério de petróleo”. No entanto, essas perceções mudaram radicalmente, e a costa da Namíbia agora é considerada um dos locais de exploração mais importantes do mundo.
Segundo a Galp, a Namíbia possui cerca de 11 mil milhões de barris de hidrocarbonetos, posicionando-a como o 19º país com maiores reservas comprovadas, à frente de nações como Noruega e Equador.
A potencial inclusão da Namíbia na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) destaca a importância das suas descobertas. O secretário-geral da OPEP, Al Ghais, expressou entusiasmo com a possibilidade de parceria, oferecendo apoio à Namíbia neste momento crucial.
Apesar do otimismo, existem desafios. Embora a TotalEnergies preveja um crescimento económico significativo, a verdadeira produção de petróleo pode não começar até o final da década. A Namíbia enfrenta também problemas estruturais, como a escassez de água e a dependência de importações, que podem limitar o crescimento económico.
Além do petróleo, a Namíbia está a investir em energias renováveis. O país visa tornar-se um fornecedor líder de hidrogénio verde para África e Europa, aproveitando as suas condições favoráveis de vento e sol. A Agência Internacional de Energia estima que a Namíbia pode produzir hidrogénio verde a um custo de 1,5 dólares por quilograma, muito abaixo dos 4-6 dólares de referência globais.














