A Direção Nacional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) convocou para esta sexta-fera uma greve nos turnos da manhã e tarde.
As razões são objetivas, indicou o sindicato:
Carreira e grelha salarial – o compromisso de apresentação de uma proposta de alteração à grelha, por parte do Ministério da Saúde, continua por cumprir;
Injustiças relativas – a sua resolução, através de orientações, para as administrações das ULS, continua por cumprir, colocando em causa o desenvolvimento profissional e salarial dos enfermeiros.
Condições de trabalho
– Gozo de milhares de horas já trabalhadas – os enfermeiros são convocados, a nível nacional, para trabalharem horas a mais que, na maior parte dos casos não são pagas, ou são pagas de forma como trabalho normal. É obrigatório que lhes seja permitido o gozo em tempo, ou seja, tempos de descanso.
– O sistemático recurso a trabalho extraordinário para colmatar a carência de enfermeiros agravam o risco e a penosidade do exercício da profissão. É por isso obrigatório consagrar formas de os compensar.
– Reafirmação das 35 horas semanais como o regime de trabalho dos enfermeiros.
“A proposta [apresentada pelo Governo] continua a ser inadmissível, intolerável e, por isso, os enfermeiros terão razões acrescidas para manifestar a sua fortíssima indignação com a greve”, afirmou aos jornalistas o presidente do SEP no final da reunião com o ministério de Ana Paula Martins, na passada quarta-feira.
Segundo José Carlos Martins, o Ministério da Saúde propôs, na grelha salarial da categoria de enfermeiro, um aumento de 52 euros para todas as posições remuneratórias.
Além disso, nas grelhas salariais de enfermeiro-especialista e enfermeiro-gestor, o “Governo propõe não alterar grelha nenhuma”, afirmou o dirigente sindical, adiantando que a proposta prevê, porém, que os enfermeiros que estão esta quarta-feira nessas categorias possam dar um “salto de uma posição remuneratória”.
Essa proposta implica que, para “quem entrar no futuro, o valor económico do trabalho dos enfermeiros especialistas e chefes se mantém exatamente igual ao que hoje temos”, lamentou o presidente do SEP.
José Carlos Martins salientou ainda que o Ministério da Saúde “continua sem apresentar qualquer proposta” para compensar o risco e a penosidade da profissão, desde logo, a possibilidade da aposentação antecipada.
“Vai haver uma próxima reunião no dia 12 de setembro e o apelo que reafirmo é que os enfermeiros expressem massivamente a sua indignação no dia 2 de agosto e que adiram a todo o plano de luta que vai acontecer durante o verão”, apelou o dirigente do SEP.














