O ano letivo só arranca entre 12 a 15 de setembro mas, ainda antes de iniciar, já conta com um obstáculo: a falta de professores. Na zoa de Grande Lisboa/Setúbal e na do Algarve há cinco disciplinas que não têm professores disponíveis para as substituições por doença ou gravidez.
Arlindo Ferreira, especialista em concursos de professores faz o alerta, citado pelo Correio da Manhã, na mesma semana em que o Ministério da Educação anunciou a colocação de 3424 professores contratados a termo. Com todos os professores que concorreram já colocados em algumas disciplinas em determinados Quadros de Zona Pedagógica, isso significará que, no caso de aposentação ou baixa de um docente, as escolas terão de recorrer ao lançamento de horários nas ‘Ofertas de Escola’, abrindo a que professores sem profissionalização possam concorrer.
Na zona de Grande Lisboa/Setúbal (QZP 7) já foi colocado o último candidato disponível das listas nas disciplinas de Português, Inglês e Biologia e Geologia.
Já no Algarve (QZP 10), já foram colocados todos os os professores que concorreram, nas disciplinas de Geografia e Eletrotecnia.
Segundo o especialista, isso aponta “para que nas próximas necessidades das escolas já não existam candidatos para muitos grupos de recrutamento e QZP”.
Entretanto, o Ministério da Educação já anunciou dois concursos, ainda antes do ano letivo, de ‘reserva de recrutamento’, que prometem reduzir ainda mais a quantidade de professores disponíveis.
Ficaram por colocar 22 mil docentes, mas muitos destes não concorreram a Lisboa e Algarve.
Filinto Lima, presidente da direção da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) explica os motivos: o aumento dos custos de deslocação e alojamento dos docentes que ficam fora da área de residência: “As pessoas não concorrem devido ao elevado custo de vida. Em Lisboa e no Algarve foram disponibilizados 29 apartamentos de rendas acessíveis, mas isso não chega. Deviam era apoiar rapidamente os professores para deslocações e estadia. Isso era motivador para que muitos docentes concorressem a zonas do país para onde ninguém quer ir”, indica ao Diário de Notícias.
Perante as substituições e elevado número de aposentações expectáveis, Filinto Lima alerta para os riscos de burnout, e pede “sangue novo” no ensino português, algo que só pode acontecer com “valorização da carreira docente”.












