Greves que se multiplicaram (e continuam a verificar-se este ano), crescimento da procura no âmbito da pós-pandemia e falta de motoristas e veículos levaram a um aumento no número de queixas feitas pelos passageiros sobre os serviços de transportes públicos, segundo Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT).
A AMT recebeu em 2022 um total de 22600 reclamações, de acordo com números indicados ao JN. Isto significa que houve uma média de 62 queixas sobre transportes públicos por dia no ano passado, mais 24 do que em 2021 e mais uma do que em 2019, período antes da pandemia da Covid-19. Nunca desde que há registos (há sete anos) houve tantas reclamações neste setor.
Os autocarros, comboios, metro e elétricos correspondem a 2 terços (66%) do total de reclamações (14 609), num ano em que ainda não houve tantos passageiros nos transportes públicos como antes da pandemia, mas as reclamações foram mais.
O cancelamento de serviços e incumprimentos de horários são os principais motivos que levam os passageiros a reclamar, sendo que a Rede Nacional de Expressos (1579), o Metro de Lisboa (1708) e a CP (4016) são os operadores mais reclamados.
No que respeita aos comboios, sabendo que a CP tem sido palco de greves e tem levado a cabo obras em vários troços, os consumidores queixam.se de dificuldade com os títulos de transporte e com o comportamento de funcionários. As queixas aplicam-se também para os transportes rodoviários.
No ano passado, houve 371 queixas sobre os sistemas de bilhetes, apoio à mobilidade e atendimento nas lojas.
Nas estradas, as queixas são motivadas em grande parte pelas portagens, com a Brisa e a Ascendi Norte a terem mais reclamações, e no que respeita à cobrança, a entidade mais referida é a Via Verde.
Apenas nos transportes fluviais há uma nota mais positiva, com uma redução de 1063 queixas em 2019 para 798 reclamações no ano passado.
Quanto a táxis e TVDE, registaram-se segundo a AMT, em 2022, 796 queixas sobre transporte em veículos ligeiros: 71 diziam respeito a táxis e as outras todas tiveram como alvo TVDE. A Uber, com 579 reclamações, lidera a lista de entidades com mais queixas. Os principais problemas reportados são o cancelamento de serviços, questões relacionadas com o pagamento e a falta de emissão de fatura.






