Os Estados Unidos e a União Europeia anunciaram esta sexta-feira um acordo que visa reduzir a dependência energética da Rússia.
O pacto, anunciado pelo presidente Joe Biden e pela líder da UE, Ursula von der Leyen, durante uma visita a Bruxelas do norte-americano, surge após um dia de três cimeiras na cidade europeia em que líderes ocidentais atacaram a invasão russa da Ucrânia e ofereceram novo apoio a Kiev.
Em conferência de imprensa conjunta, Joe Biden anunciou que irá “trabalhar para garantir mais 15 mil milhões de metros cúbicos de gás natural em estado líquido para a Europa este ano”.
O acordo “também funcionará para garantir uma exigência adicional de 50 mil milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito dos Estados Unidos anualmente até 2030”, acrescentou.
Trata-se de um “plano de jogo conjunto”, delineado para garantir um futuro mais sustentável e limpo no consumo energético, que irá também diminuir a capacidade de Vladimir Putin para instrumentalizar os recursos energéticos no esforço de guerra.
Já Von der Leyen revelou que os dois países “chegaram a um acordo transatlântico” que se realiza através de “uma cooperação de ajuda humanitária e de recuperação da Ucrânia”.
“Vamos mobilizar recursos massivos para apoiar aqueles que estão na Ucrânia, ou nos países vizinhos”, nomeadamente no que diz respeito aos refugiados que fogem da guerra, sublinhou.
Segundo a responsável, “o mais importante é encontrar alternativas para reduzir a dependência energética que os países da União Europeia têm da Rússia”, sendo esse o objetivo do acordo hoje anunciado.
Segundo o comunicado emitido pela UE, no âmbito deste pacto, “os Estados Unidos e a Comissão Europeia empreenderão esforços para reduzir a intensidade de gases de efeito estufa de todas as novas infraestruturas de GNL e gasodutos associados”.
“Os Estados Unidos comprometem-se a manter um ambiente regulatório propício, com procedimentos para rever e agir rapidamente para permitir quaisquer capacidades adicionais de exportação de GNL, reafirmando a resolução conjunta de acabar com a dependência da UE dos combustíveis fósseis russos até 2027”, lê-se.
Por sua vez, “a Comissão Europeia trabalhará com os governos dos Estados-Membros da UE para acelerar os seus procedimentos regulatórios, para rever e determinar aprovações para infraestrutura de importação de GNL”.
Adicionalmente, “a UE vai colaborar com os Estados-Membros da UE e operadores de mercado para reunir a procura, através de uma plataforma de energia da UE recém-criada para volumes adicionais entre abril e outubro de 2022”.
“A Comissão Europeia vai também apoiar mecanismos de contratação de longo prazo e fará parceria com os EUA para incentivar contratação para apoiar as decisões finais de investimento em infraestrutura de exportação e importação de GNL”, conclui.
A invasão da Ucrânia pela Rússia, principal fornecedor de gás da Europa, elevou os já altos preços da energia a um nível recorde, levando a UE a comprometer-se a reduzir o seu consumo de gás russo em dois terços este ano, aumentando as importações de outros países e impulsionando as energias renováveis .
A Rússia fornece 40% das necessidades de gás da UE e mais de um quarto das suas importações de petróleo. Os países mais dependentes dessa oferta, em especial a Alemanha, estão relutantes em adotar uma medida que teria grande impacto económico.







