Três semanas após o início da guerra na Ucrânia, especialistas ouvidos pela ‘CNBC’, alertam que o presidente Vladimir Putin pode estar a considerar o seu próximo alvo: a Moldávia.
O país do Leste Europeu situado na fronteira ocidental da Ucrânia, partilha vários paralelos com o seu vizinho que podem torná-lo um ponto de partida para o ataque contínuo, ou ele próprio vulnerável a ataques.
“Se o conflito escalar além da Ucrânia, a Moldávia é um dos locais mais bem classificados da lista”, disse Adriano Bosoni, diretor de análise da empresa de gestão de risco Rane, à CNBC.
A Moldávia, como a Ucrânia, não faz parte da União Europeia (UE), nem é membro da NATO – embora tenha ambições de se juntar a ambas. Mas, abriga uma considerável população separatista pró-Rússia baseada principalmente no estado separatista da Transnístria, na fronteira ucraniana.
Governada pelo seu próprio líder apoiado pelo Kremlin, a Transnístria pode apresentar uma oportunidade estratégica para a Rússia, que já reuniu cerca de 1.500 soldados na área.
Ou Putin o reconhece como um estado independente – como fez com Donetsk e Luhansk antes de lançar uma invasão completa da Ucrânia – ou a região pode tornar-se o foco de um chamado evento de bandeira falsa, fabricado pela Rússia para justificar uma intervenção.
“Para mim, é super interessante que a Rússia ainda não tenha reconhecido a Transnístria como uma república independente da mesma forma que fez com Luhansk e Donetsk”, disse Bosoni.
O responsável acrescentou: “Se víssemos a Rússia fazer isto, seria uma indicação séria de que está a pensar em levar o conflito para a Moldávia.”
Atualmente, não há sinais definitivos de que Putin esteja a planear tal estratégia na Moldávia, de acordo com Bosoni, que a descreveu como uma “situação de baixa probabilidade e alto risco”.
No entanto, se a Rússia seguir esse caminho, isso significaria mais dificuldades, principalmente para os 2,6 milhões de habitantes da Moldávia e os 350 mil imigrantes da Ucrânia que fugiram para esse país.
“Seriam muito fracos. Haveria pouca ou nenhuma resistência”, disse Clinton Watts, investigador do Foreign Policy Research Institute, sobre a resistência da Moldávia. O país – um dos mais pobres da Europa em termos de PIB per capita – tem muito menos capacidade militar do que a Ucrânia.
Uma invasão da Moldávia poderia, portanto, “abrir a porta dos fundos para o sudoeste da Ucrânia”, disse Watts, observando que Putin pode estar à procura de um plano de jogo alternativo, dados os esforços ainda falhados da Rússia para cercar a capital, Kiev.
“Eles podem resistir [em Kiev] e tentar circular em Odesa primeiro”, disse, referindo-se à cidade portuária no sul da Ucrânia. A Rússia pode então tentar tomar o sul do país, tendo já se aproximado de Mykolaiv, 130 quilómetros a leste de Odesa.
“Acho mais provável que Putin queira invadir o sul da Ucrânia e reunir-se com a Transnístria, usando isso como uma plataforma de lançamento para conquistar a Moldávia”, acrescentou Watts.
Se isso acontecer, a Moldávia poderá enfrentar um destino semelhante ao da Ucrânia, travada em conflito com uma superpotência global, enquanto os aliados ocidentais assistem do lado de fora.










