Olena Zelenska, mulher do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, escreveu uma carta aberta ao Ocidente, onde sublinha que o que aconteceu com o seu país é “impossível de acreditar”.
A carta, intitulada “Eu testemunho” e endereçada aos meios de comunicação mundiais, foi divulgada no serviço de mensagens criptografadas Telegram e também através das redes sociais da própria Olena.
“Apesar das garantias dos meios de propaganda apoiados pelo Kremlin, que chamam isto de ‘operação especial’ – é, de facto, o assassinato em massa de civis ucranianos”, lê-se no documento.
Embora a tragédia seja muita, Olena considera que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, subestimou os ucranianos, que estão numa “unidade sem paralelo”, deixando avisos aos “propagandistas do Kremlin”.
“Gabaram-se de que os ucranianos os recebiam com flores, como libertadores, mas os ucranianos saudaram-nos com cocktails Molotov”, escreveu a mulher.
Com a carta, sublinhou, “também declaro e digo ao mundo: a guerra na Ucrânia não é uma guerra “algures por aí”. Esta é uma guerra na Europa e nas fronteiras da União Europeia”, reiterou.
“A Ucrânia está a parar uma potência que pode invadir as vossas cidades amanhã de forma mais agressiva sob o pretexto de salvar civis. Se não pararmos Putin, que está a ameaçar com uma guerra nuclear, não haverá lugar seguro no mundo”, alertou Olena.
Olena explicou que escreveu a carta porque foi sobrecarregada com pedidos de meios de comunicação em todo o mundo, sendo esta a sua resposta às perguntas, o seu “testemunho da Ucrânia”.
Lamentando a morte de crianças na guerra, a primeira-dama ucraniana citou alguns dos que morreram e continua a dizer que agora existem várias dezenas de crianças “que nunca conheceram a paz nas suas vidas”.
“Talvez o mais aterrorizante e destruidor desta invasão sejam as vítimas infantis. Alice de oito anos que morreu nas ruas de Okhtyrka enquanto o seu avô tentava protegê-la. Ou Polina de Kiev, que morreu no bombardeio com os seus pais”, referiu.
A responsável acrescentou: “Arseniy, de 14 anos, foi atingido na cabeça por destroços e não pôde ser salvo porque uma ambulância não conseguiu chegar a tempo por causa dos intensos incêndios”.
“Quando a Rússia diz que ‘não está a travar uma guerra contra civis’, eu lembro os nomes dessas crianças assassinadas primeiro”, sublinhou.
A mulher de Zelensky disse ainda que, nos olhos de mulheres e crianças, é visível “a dor e a mágoa de deixar para trás os familiares e a vida como eles a conheciam”.
A carta continua a descrever homens que levam as suas famílias para as fronteiras “com lágrimas pela separação, mas para lutar bravamente pela nossa liberdade”, até porque, aponta, “apesar de todo esse horror, os ucranianos não desistem”.






